Liberdade supervisionada

Hoje deu um baita orgulho e um baita medo, sinais de uma vida que segue. Hoje foi o meu primeiro dia de trabalho depois das férias. Férias que programei para, assim como fiz com o Tomás, adaptar a Olívia à escola. E depois de quase 20 dias daquele ritual que vai caminhando aos pouquinhos, indo com ela na sala, depois deixando pouco tempo e esperando do lado de fora… hoje foi a primeira vez que deixei ela lá e segui meu rumo pra longe do colégio: 30 km, ou uma hora – sem trânsito.

Deu orgulho e a impressão de ter fechado mais um pequeno ciclo. Meu bebê já não tão bebê assim.

Mas deu medo também.

Filha, eu não estou mais todo o tempo com você, guiando seus passos, prevendo seus movimentos, prevenindo suas quedas. Agora você vai, cada dia um pouco mais, independente.

É fato que a adaptação na escola, como muitos dizem, é também para as mães, que instintivamente sempre vão tentar proteger os filhos. Mãe acha que só elas conseguem entender os filhos, só elas sabem resolver as questões deles. Mas quem disse que todas as questões precisam ser resolvidas?

Se você não der problemas pros seus filhos, como eles vão saber que eles existem?

Esse tipo de (super)proteção só traz atraso na maturidade deles. Olha, ninguém está falando para largar o filho no meio da rua e ver como ele lida com isso. Nem a deixar ele cair numa piscina quando ele ainda não sabe nadar. O ponto é que enquanto ficarem sob a guarda constante e exclusiva de alguém, enquanto houver alguém olhando o tempo todo para eles e fazendo tudo que eles precisam para estarem felizes, eles não vão criar as próprias pernas.

Por isso prefiro uma boa creche, com professores e auxiliares em quem confio, do que deixar em casa com babá, avó, quem quer que seja. Na escola, a criança será “mais uma”. Será olhada junto com outras, sem deixar de ser cuidada. Terá que aprender a chamar a atenção pra ela.

[Claro, tudo tem seu tempo certo. Não vai me botar a criança de dois meses na escola, viu?!]

Gosto da expressão “liberdade supervisionada”, ela resume bem o comportamento que tento ter com eles. Na cabecinha deles, estão sozinhos. Mas sempre terá alguém pronto para dar o suporte quando realmente precisarem. E com o tempo, eles estarão, de fato, sozinhos: brincando, vendo televisão… e a mãe é que terá o feeling de quando. Mas ela só saberá se ela e o filho já tiverem experimentado essa sensação antes.

E se tem uma coisa gostosa é ver seu filho brincando, criando histórias, se entretendo com a própria criatividade, by his own.

[Óbvio que também é maravilhoso sentar e brincar junto, ok? Vocês dois precisam disso também!!]

A impressão que tenho é que as mães que deixam os filhos, literal e metaforicamente, caírem e se levantarem sozinhos, são mais orgulhosas deles. E que os filhos com mães assim são mais seguros. Quantas vezes segurei meus instintos e deixei eles completarem uma tarefa que, na minha cabeça, não conseguiriam? É importante ensiná-los a tentar. E tudo bem se não conseguirem.

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