Eu sou uma mãe que julga

A vida é feita de escolhas. Desde que nascemos. Mas assim que nascemos – e mesmo antes disso – alguém faz as escolhas por nós. 

Eu escolhi ter parto normal. Duas vezes. A outra Patricia preferiu cesárea. Duas vezes também. A gente não se odeia por essa diferença. 

Mas já vi muita discussão feia sobre o assunto. Até que me cansei dele. Acho que os especialistas, ativistas, cesaristas e xiitas do parto normal ainda têm motivos para tanto debate. Mas quando as acusações são entre as próprias mães… Tenho preguiça do tema. E muito mais preguiça delas. 

Nos grupos de “apoio” à maternidade, nas redes sociais, essa briga não tem fim. 

Mas também tem quem brigue porque uma acha chupeta um absurdo e a outra, uma salvação. Porque uma dá doce pro filho desde cedo e a outra só quer dar aos dezoito anos. Essa segunda poderia ser eu. 

Já fui hostilizada em reunião da creche por causa disso. Ok, hostilizada com carinho. Ninguém entendia por que me assustei com a batata frita no cardápio do maternal e com o bolo de ovomaltine de sobremesa. Mesmo assim, não quis discutir com os pais dos colegas do meu filho assim como nunca troquei farpas com mães que só conheço pelo perfil do Facebook. Cada qual com suas escolhas. 

Defendo minhas opiniões. Não tento convencer ninguém de que estou certa. Afinal, não existe mesmo certo e errado. Existe o que é certo para cada um. 

Mas eu sou sim uma mãe que julga. 

Coleciono posts alheios com perguntas do tipo: posso dar linguiça para meu filho de 6 meses?!Desculpe. Ainda acho que era uma pegadinha na internet.

O pior foram as respostas. Eu não dei a minha, claro. E quando comecei a ler os comentários… Deu preguiça até das que eu concordava. 

(Preciso confessar: adoro esses posts e ainda farei um estudo antropológico sobre essa espécie de mães que se amam e se odeiam nos grupos de internet.) Me julguem. 

Não temos saída: precisamos escolher por nossos filhos. E somos julgadas a todo instante. Mas a pena pode ser alternativa. Não precisamos ser tão rígidas. 

Já nos basta sermos nossos próprios juízes e sofrermos com nossas duras penas quando descobrimos que não estamos certas. 

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2 comentários sobre “Eu sou uma mãe que julga

  1. Pat,
    Não te julgo queridona pq amor é o q nos faz refletir sobre o parto que queremos, o alimento que queremos pra eles….
    Tb tive problemas na creche do Matt, batata frita no almoço não dá pra entender. mais tarde quando eles entrarem na escola, nas lanchonetes só vai ter xburguer e mais batata frita.
    Depois de tudo Isso, my dear..vêm os doces anos da adolescência…. Uma nova e deliciosa descoberta!
    Um bj

    Curtido por 1 pessoa

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