Amamentação – um espetáculo para pequenas plateias

Unknown

Sabe aquela mulher linda amamentando um bebê risonho? É tão clichê que faz parte do imaginário do que é ser mãe. Eu jamais me imaginei fazendo isso. Sendo sincera, passei a gravidez inteira ignorando o que aconteceria depois do parto. Li o comecinho da Encantadora de Bebês para dar uma espiada no que seria meu futuro, mas o que fiz mesmo foi dar um “o futuro a Deus pertence” ao destino.

Por garantia, peguei o contato de uma consultora de amamentação (vocês quase caíram no meu papo de eu estar totalmente despreparada, né? Tsc, tsc, tsc) e vi alguns vídeos no Youtube. Claro que eu não queria fazer feio, mas não tinha feito curso nem me aprofundado no assunto. Por exemplo: eu desconhecia a tal “apojadura” e quando meus seios ficaram maiores que o da maluca que colocou silicone pra sair no Guiness, achei que ia morrer.

Quando o Pedrinho veio para os meus braços eu achei super simples amamentar. Ele parecia ter nascido sabendo e eu fiquei toda prosa crendo que ia ser moleza. Que nada. O bico do seio começou a doer e outros obstáculos surgiram.

Um deles era a pega. Na maternidade, a enfermeira ajeitava o guri de um jeito que não me machucava. Quando eu tentava sozinha, tudo dava errado.

Ainda bem que a pediatra apareceu com uma super ideia: ensinou o Tomás – pai do Pedro – a fazer o que ela e enfermeira faziam: abriam a boca do Pedro e encaixavam ele no peito. Como dizia a doutora Renata: “tem que atochar ele no peito”.

O segundo drama era o sono, meu e do bebê. Ele tinha que mamar de 3 em 3 horas e era preciso acordá-lo para mamar. E ele dormia no meio da mamada!!! Seguindo o conselho da pediatra, deixávamos ele só de fralda pra esfriar o corpinho e se manter acordado. Mexer no pezinho também ajudava, mas chegamos a passar algodão molhado na perna dele pra ver se o guri não dormia. E tinha eu, ou melhor não tinha. Porque o bebê nasce e a mãe vira um par de peitos. Parecia que eu era invisível pro mundo, eu tinha apenas que aguentar o peito dolorido e a tortura de estar acordada de 3 em 3 horas. Foi dureza!!! Mas o Tomás tava ali do lado ajudando na pega e fazendo a parte psicológica.

Quando fomos pra consulta dos 15 dias de vida, a médica disse que a amamentação era um sucesso! E aí soltou: “vamos colocar um sininho no pescoço da Lari!”. Fiquei louca. Tinha sido chamada de vaca leiteira!!! A pediatra disse que eu tinha que participar de campanhas pela conscientização da amamentação porque estava indo bem demais. Aí, fiquei calma. Gosto de tirar 10 na prova. Em qualquer prova. E senti que aquilo era um A com estrelinha. Nòa ser tão invisível ajudou bastante na hora da dor.

Me senti livre pra negociar uma mamadeira por dia. Afinal, eu precisava dormir mais que tudo na vida. Passamos a dar – quer dizer, o Tomás assumiu a tarefa – uma mamadeira de madrugada. Um alívio pros meus peitos e uma forma de evitar que eu enlouquecesse por conta da privação do sono.

Agora, com dois meses, Pedro mama facilmente. A dor foi embora e o ritmo das mamadas tá bem equilibrado. Temos uma rotina e o Pedro parece ter um relógio na barriga, mama na hora certa. Se eu tivesse tempo pra me maquiar e fazer uma escova, eu ia me achar lindona.

Só que tudo isso acontece dentro de casa. Como ele ainda não está com todas as vacinas, não saímos – tirando uma voltinha aqui perto ao ar livre.

A pergunta é: como será quando formos mesmo passear? Como eu vou amamentar na rua??? Eu não me sinto à vontade pra tirar o peito pra fora da blusa com plateia. Nem em casa gosto de amamentar com visitas por perto.

Então vi essa notícia genial de uma cabine que vai ser instalada para as mamães terem um lugar de paz em um aeroporto. Será em Nova York, mas senti que mais gente como eu quer ter um cantinho sossegado pra esse momento. Acho que quem não se importa em amamentar em público está certíssimo, e acho um horror que tenha quem reclame (eu reclamo de gente que abre quentinha fedorenta do meu lado ou come de boca aberta). Um bebê mamando é fofo e uma bela imagem para ser vista, mas se for o meu, prefiro que seja espetáculo para poucos convidados.

http://revistacrescer.globo.com/Voce-precisa-saber/noticia/2015/04/primeira-cabine-de-amamentacao-sera-instalada-em-aeroporto-de-nova-york.html

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