#futuro.com.br

A notícia da gravidez deixa a família radiante. Os meses vão passando, todas as providências vão sendo tomadas, quartinho arrumado, roupas compradas, lavadas e passadas. Facebook, Instagram, Twitter pro moleque feitos, ah, e não menos importante: definida a  hashtag para compartilhar as fotos do bebê.

Oi?

Sim, um bebê que nasce em 2015, no meio de tanta tecnologia, redes sociais em alta, compartilhamento de fotos bombando… como não garantir que o nome do bebê seja registrado também no mundo virtual? Como não ter uma hashtag para quem for na maternidade postar aquelas fotos do recém-nascido? Uma pesquisa inglesa (sempre esses pesquisadores ingleses) mostrou que lá no Reino Unido, 57% dos bebês aparecem na internet em alguma foto antes da primeira hora de vida.

Para algumas famílias, a identidade virtual do pequeno é tão importante quanto a real. Afinal, como é que vamos ter acesso a todas as fotos dele postadas na internet?

Isso me deixa um pouco preocupada… não ter o controle sobre quem posta fotos dos meus filhos e até incentivar isso criando uma hashtag, me tiraria o sono da noite – sono esse que uma mãe de recém-nascido já não tem mesmo.

Essa semana, o cara preso por sequestrar uma criança disse para os jornalistas que achou todas as informações sobre aquela família no Facebook. Palavras dele, mais ou menos: “estava tudo no Facebook. Até foto de dentro da casa dele tinha lá”. Fiquei apavorada e fui garantir que as minhas redes sociais estavam mesmo abertas apenas para quem eu autorizei.

A tecnologia está aí pra ser usada. Não sou contra de forma alguma em mostrar os filhos na internet. Muito pelo contrário, no meu Instagram e Facebook está cheio de fotos deles! Mas não é qualquer um que vê.

Atire a primeira pedra quem nunca publicou fotos do filho uma vezinha. Bem, segundo uma outra pesquisa – da AVG, empresa de antivírus -, 20% dos pais com filhos entre 0 e 5 anos  estão, neste momento, atirando a primeira pedra em mim por nunca terem compartilhado nenhumazinha foto dos filhos. Mas são 20%, vai…. nós mortais, ou 80% de nós, não resistem às fofuras deles. É mais forte que a gente. Mas a gente precisa saber que uma conta no Instagram para o seu filho não é a mesma coisa que o álbum da família que você guarda e mostra para quem te visita em casa. E também não é a mesma coisa que você postar fotos dos filhos na sua rede, para amigos seus.

Onde vamos parar, eu não sei. No mínimo, vamos ter daqui a uns meses domínios de e-mail no limbo, sendo guardados para um futuro desconhecido, em que até o email pode se tornar obsoleto.

Num prognóstico mais radical, teremos filhos rebeldes questionando as mães sobre o teor das fotos deles publicadas no Instagram deles mesmos.

E namoradas fuxicando as redes sociais dos namorados para descobrir se eles nasceram de cesárea ou parto normal. Se mamaram no peito ou na mamadeira, se ficavam na creche ou com a avó.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s