Meu exército tem poder

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Que coisas aprendemos a fazer por causa da chegada de um bebê? Que medos enfrentamos por causa dele?

A lista de novas habilidades é interessante. Distinguir um choro de fome do choro da cólica, escapar de jato de xixi ao trocar fralda… Mas isso é técnica. Quero saber que medo fazia você tremer e agora não faz mais?

O meu desafio foi enfrentar o medo de ser mãe. Quer dizer, o medo de não ser uma mãe perfeita.

Apesar de não ter absolutamente nada que indicasse que eu seria uma mãe meia-boca, eu achava que ia mandar mal. Aquele pensamento catastrófico de gente neurótica mesmo. Imaginava meu filho se escondendo de vergonha de mim na porta da escola. Imaginava as outras mães olhando pra mim com profundo desprezo e um outro tanto de bobagens: ele me chamando de gorda e dizendo que queria ter nascido em outra família. Tinha medo de não ser mais uma profissional de alto desempenho depois de ter filho. De ficar feia. (Tô na dúvida se isso é neurose ou paranoia).

Mesmo assim, engravidei. Não podia me permitir ser menor que meu medo. Coloquei aquele temor numa caixinha bem fechada e fui adiante.

Sem falsa modéstia, estou me saindo relativamente bem nas tarefas cotidianas. Claro que, como Pedro ainda não fala, eu levo uma certa vantagem porque ele ainda não pode reclamar. Se eu faço bobagem, o segredinho é só nosso. E estou bem mais confortável nesse novo papel. Até chego a pensar que se o meu filho escolheu vir pra mim é porque sabia no que estava se metendo.

Sobre ser uma profissional pior, não sei como será o retorno ao trabalho e vou deixar pra pensar nisso depois. E sobre ficar feia, eu só ouço que fiquei melhor depois de ter filho (mais um ponto pro pai que escolhi pro meu filho).

A caixinha ainda está comigo e chave vive pendurada no meu pescoço pra que eu não esqueça do que está ali dentro. De vez em quando, ouço o medo espernear pedindo pra sair. Busco ajuda. Aquele conforto da família, dos amigos e de todo mundo que vai me dizer que não preciso me cobrar tanto. Também me socorro nas palavras da pediatra que diz que meu pequeno vai muito bem, obrigada. Na experiência da Rosana, que trabalha aqui em casa, e tem um bebê de 10 meses. No colo amoroso que eu recebo do Tomás. Nas inúmeras vezes que minha mãe e minha sogra se oferecem e vêm para ajudar. Nas orações que minhas avós rezam por nós. Na ioga, na terapia, nas conversas com as amigas…

Porque mesmo que a gente nasça e morra sozinho, é muito bom ter um exército por perto para manter a tampa da caixa fechada. E meu exército tem poder!

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Um comentário sobre “Meu exército tem poder

  1. Larissa Bitencourt, quando houver a noite de autógrafos de seu livro de crônicas sobre o dia-a-dia de mães, ou de qualquer outro tema, esteja certa de que serei a primeira da extensa fila.
    Parabéns !

    Curtido por 1 pessoa

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