Verdades Secretas

– Aonde vc e o papai foram no primeiro encontro?
Eu tenho mais medo dessa pergunta do que da velha “de onde vêm os bebês?”.
A verdade verdadeira, aquela sem floreios, é muito complicada. 
Acredito que o exemplo é melhor que qualquer conselho, mas admito, tenho vários exemplos do que não se deve fazer. Então, terei melhores conselhos que atos pra mostrar. 
Minha mãe acaba de me lembrar de uma lista de coisas que fiz quando criança ou adolescente que eu não quero que o Pedro faça. Pedi a ela sigilo absoluto, com que moral vou proibir algo que fiz?
Claro que no caso dele descobrir, eu terei que dizer “naquele tempo era diferente”. E é assim que nos tornamos iguais aos nossos pais. Aqueles chatos que proibiam tudo, mas que fizeram um monte de bobagens também.
Estou me coçando pra escrever uma lista das minhas peraltices, mas a internet é o tipo de lugar onde verdades secretas não devem ser ditas! Já pensou se Pedro lê e descobre que eu jogava bola na parede da sala de estar e quebrava os lustres de casa? Ou enchia bexiguinhas com água e arremessava pela sacada do prédio muitas vezes atingindo pessoas? Nem pensar! Ele não pode saber disso! Nem ter acesso às freiras do meu colégio onde aprontei todas. Até fogo num mural a gente colocou (pra fazer bordas num cartaz e dar cara de “antigo”, foi tudo pela arte!).
Nunca lembramos que nossos pais foram bebês e depois crianças antes de existirmos. Pais são seres que nascem quando os filhos nascem. Seguindo essa linha de pensamento, então a Larissa Mãe nasceu este ano. Ela é uma mulher de respeito, trabalhadora, que guarda tudo no lugar, que não faz barulho à mesa, nem toma Coca no bico da garrafa (mentira, toma no bico, mas escondido). Ela é chatinha, não quer que o Pedro apronte, mas dentro dela ainda vive a Larissa criança que adoraria jogar ovo podre nos motoristas que trancam o cruzamento. 
Anúncios

BFF*

Hoje em dia está fácil manter amizades. O Facebook está aí pra te deixar atualizado não só da vida dos seus amigos, dos seus conhecidos, como dos amigos dos amigos, do vizinho, do cachorro mais famoso do bairro, do filho da prima de terceiro grau, da ex-namorada do primo. Só não acompanha quem não quer.

Featured image
Lá na escola do meu filho, as mães tem um grupo no whapp e, entre todos os assuntos relativos aos pequenos, às vezes sai uma combinação de programinha entre as crianças. E elas adoram sair com os coleguinhas para lugares fora da escola, é sempre uma farra.

Eu tenho amigas de longa data – a amizade mais antiga já dura 29 anos. E tenho outras que são desde quando a gente era da idade do meu filho mais velho, 3, 4 anos. E quero muito que Tomás e Olívia tenham e mantenham os amigos. Que esses amigos sejam tão importantes para eles quanto essas meninas são para mim. Já falo logo que minha “alma gêmea” foi estagiária comigo no trabalho. E nada mais nada menos do que a minha comadre eu conheci na adolescência. Portanto, é natural que meus filhos também façam boas amizades fora da infância, ao longo da vida

É uma das minhas missões ensinar a eles a importância de se ter amigos. Amizades que podem começar num parquinho, na escola, na faculdade, no trabalho; de 30, 15, 10 anos, ou uma semana… Amigos com quem eles podem contar, confiar, se aconselhar e a quem possam fazer confissões. Jogar o jogo da verdade, salada mista. Amigos que possam ensinar coisas que os pais deles não podem por questões morais. Que possam ser cúmplices quando matarem aula para ir para a praia, que possam dar cola numa prova, ser álibi da hora de dormir fora de casa, estudar juntos. Que meus filhos aprendam a defender um amigo independente dele estar certo ou errado.

Mas quero que eles aprendam, principalmente, a ouvir os amigos deles! Não é (só) sentar numa mesa e escutar, não. É ouvir, entender, compreender e saber ficar calado na hora certa. E olha, nada disso se faz com um Facebook da vida, ou qualquer outra nova tecnologia que vai surgir por aí. A fórmula é velha: é cara a cara, do mesmo jeitinho que minha mãe fez com as amigas dela, minha avó com as dela, eu com as minhas.

*Dedicado às minhas melhores amigas!

Meu coração fora do corpo

  

Lembro de um dia em que encontrei uma amiga passeando com seu bebê no carrinho e vi como o pequeno a olhava. A cada palavra dita por ela, os olhos dele brilhavam e ele sorria. Achei tão lindo e tão intenso que desejei muito ter a chance de viver um momento assim.
Acho que existe uma romantização exagerada da maternidade, que pouco se fala das dificuldades e daqueles dias em que dá vontade de fugir. Porque dá mesmo vontade de desaparecer quando a rotina do choro e da fralda pesa. 
Mas hoje quero falar que estou vivendo o momento da paixão. É mesmo verdade o “tudo passa” e o “quando fizer 3 meses melhora”. Tudo passou e melhorou.
Meu status atual é totalmente apaixonada pelo meu bebê. Acho ele a criança mais linda do mundo, olho e penso como posso ter tido tanta sorte por ter sido escolhida pra ser a mãe daquele sujeito simpático.
Ele acorda sorrindo e me olha como se eu fosse a pessoa mais legal do mundo, faz eu me sentir assim. Então meu dia já começa incrível e talvez por isso eu esteja escrevendo menos. É que a vontade de desabafar diminuiu e aumentou o desejo de passar horas vendo aquele guri lindo tentando alcançar o móbile.
Me sinto tão feliz que voltei a ter mão boa na cozinha (durante algum tempo eu estragava tudo que tocava) e estou indo à academia direitinho. 
Eu só me preocupo com uma coisa: o que faço com a vontade de morder aqueles pezinhos? 


A princesa que não é princesinha

“Ai que princesinha ela é…” O que isso significa? Que a menina é delicada, educadinha, graciosa, menininha mesmo. Tem meninas menininhas e tem meninas. Eu crio a minha para ser menina, mas de vez em quando chamo ela de princesa também.

A princesa de verdade (na verdade é duquesa, mas vou chamar de princesa mesmo), Kate, pariu um bebê de quase quatro quilos e dez horas depois estava linda, arrumada, maquiada e com um salto agulha na porta da maternidade. Sorrindo para todos as pessoas desconhecidas que estavam ali por ela e pela filha dela.

KATE

A princesa causou raiva em quase todas as mães que eu conheço. Todo mundo revoltada por ela ser linda e estar disposta assim dez horas depois de dar à luz.

Bem, eu nao nasci pra ser princesa. Jamais conseguiria encarar a multidão recém-parida do jeito que ela o fez.

Podem dizer que o casal real tem um milhão de empregados que os ajudam na rotina com os bebês, podem dizer que ela é uma mãe que tem tempo de se cuidar. Que nem deve ser ela que põe as crianças na cama, que não vai ser ela que vai escovar os dentes, dar banho, acordar de madrugada. Que ela tem uma vida de princesa. Seria justo, afinal ela é uma.

Fato é que ali naquela hora era ela, sim, que estava daquele jeito com sua filha no colo, apenas dez horas depois de parir. As imagens não mentem. A não ser que um jornal russo tenha razão: a bebê nasceu três dias antes. Ou até nem foi a Kate quem engravidou.

Bem, levando em conta que são apenas duas teorias tolas de conspiração, a princesa ganhou, sim, meu respeito (depois da minha raiva, claro), e provou que de “princesinha” não tem nada.