Me dá um abraço?

  

Não estou só amamentando e trocando fraldas nessa licença maternidade. Não trabalhar tem me permitido, além de cuidar do bebê, presenciar o crescimento do meu filho de dois anos. Uma fase tão importante na vida de uma criança que, se eu soubesse, tinha planejado exatamente esse período para estar de licença em casa. 

Bernardo passou das palavras soltas para frases lógicas num piscar de olhos. Cada vez mais ele se faz entender. Consegue se comunicar, expressar seus sentimentos e suas vontades. Que não são poucas. 

É verdade que às vezes a gente não entende nada do que ele diz. Mas ele repete exatamente as mesmas palavras pra mostrar que sabe bem o que está falando. E fica meio irritado quando não compreendemos. 

Mas tem uma frase curtinha (e uma vontade frequente) que é bem fácil de entender…

Busco Bernardo na creche. Na saída, um amiguinho passa por ele e ele diz: me dá um abraço? O amigo passa direto. A avó diz que o menino está chateado porque a mãe foi não buscá-lo. Aí vem outro amigo, e Bernardo manda de novo: me dá um abraço? E o amiguinho vai direto pros braços da mãe. Meu coração partido aperta meu filho e eu lhe digo: eu amo o seu abraço. Ele sorri pra mim. E abraça o meu pescoço. 

Outro dia a babá chegou de manhã e ele disse “bom dia”. Desceu da minha cama e abriu-lhe os braços. Era segunda-feira. E começamos a semana com um sorriso nos olhos. 

Quando o pai chega do trabalho e o Bernardo o abraça, ele me chama: “todo mundo!” “Todo mundo no abraço!” É a coisa mais meiga e mais cheia de significado que já vi na vida. 

Como toda criança de dois anos, Bernardo bate e faz birra. Mas na maior parte do tempo é carinhoso. (Até com o irmão que acaba de chegar!) Ele quer dar carinho, mas também quer receber. Quem não quer? 

É por isso que me chamou atenção as crianças que negam um abraço. Crianças são sinceras. Se não querem abraçar, não abraçam e pronto. Os adultos não negam abraço, mas abraçam mesmo sem querer. Não sei o que é pior. 

Tenho vontade de abraçar meu filho o dia inteiro. Tanto que possa suprir todos os abraços que lhe negarem ao longo do dia. E os abraços falsos ao longo da vida. 

Se pudesse, impediria todos os abraços negados e os abraços falsos da vida dele. E estaria sempre por perto para não deixar sua pergunta sem resposta. 

Me dá um abraço? 

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