Aprenda a ser mãe em três dias ou seu dinheiro de volta

Hoje eu vi na internet um ensaio fotográfico de crianças supostamente assistindo televisão. Mostrava a cara delas apenas. Se fosse uma revista, pegava aquela página, rasgava e amassava. Faria uma bela cesta num lixo.
Me cansei de ler manuais para ser mãe.

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Não pode assistir mais que 2 horas de televisão por dia. Tablet, 20 minutinhos diários. Senão…

… vai saber!?! Quem sabe do meu filho sou eu. Quem sabe quantas horas a minha filha vai brincar de boneca, vai assistir televisão, ou vai ler Shakespeare sou eu. Cansei de me sentir culpada por estar fora de uma regra inventada por um fulaninho, que quer definir minha vida e a dos meus filhos. Fico imaginando quem teve a ideia genial: “ah, vamos mostrar a cara das crianças quando assistem televisão, para deixar as mães preocupadas e chocadas e proibirem os filhos de ficar na frente da tela?!”

Esse fulaninho sabe quantas fucking horas eu e o pai deles trabalhamos por dia? Ele sabe que é um alívio, sim, ligar a Galinha Pintadinha ou o bebê Mais de vez em quando pra gente descansar? E que Pac Man no iPad é um jeito de ocupar as crianças quando estamos arrumando a vida pra sair de casa? E se eu disser a ele que nós não vemos nada de errado em dar um pouco de chocolate para as crianças?

Ele sabe que a gente ama dormir com nossos filhos na nossa cama e está pouco importando com o que vai acontecer quando eles se acostumarem com esse carinho? Ele sabe que eu tenho o meu próprio jeito de acalmar meus filhos no shopping, mercado ou sozinha com eles em casa? Nossa, se ele soubesse o quanto lá em casa fugimos das regras dele…

Desculpa, fulaninho, isso é a vida real. Uma vida cheia de imprevistos (acabei de ouvir meu filho fazendo xixi. Na cama. Na minha cama) cheia de tarefas (hoje o pai das crianças chegará depois de meia-noite do escritório) e de diversão (eu e meu filho passamos o fim da tarde fugindo e driblando de um bicho voador na sala). Coisas que você, fazedor de regras, nem deve ter vivido, com suas definições de como a vida deve seguir no padrão da conformidade.

Imagino que tipo de cidadão será formado em uma casa que segue todas as definições de boa vivência definidas pelos fulaninhos da Internet, ou produtores de ensaios fotográficos de crianças assistindo televisões, ou grupos de mães xiitas do Facebook, ou esses “blogs de maternidade”…

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