Primeira noite longe do meu bebê

“Não eu não vou trocar de blusa”. Foi o que respondi quando meu marido viu que Pedro tinha babado em mim. Mandíbulas apertadas, respiração difícil e uma sensação de calor e frio ao mesmo tempo. Uma leve náusea. 

Era sábado. Pego a bolsa, pela primeira vez sem paninhos e chupetas, a mala, e sigo meu rumo. Pedro dorme. Mordi o pé dele. Merece, quem tem pé gordo merece levar mordida. Saí. Peraí.

Vamos voltar no tempo 24 horas. 

Na manhã anterior, eu estava sentada no carro chorando em pânico porque teria que viajar a trabalho e pela primeira vez passaria uma noite longe do Pedrinho. Mandei mensagem para todas as minhas amigas em busca de respostas do tipo “que absurdo!”. Consegui. Liguei para a minha mãe para me vitimizar e ela foi exatamente ela. “Vai ser ótimo para você arejar a cabeça, fazer o seu trabalho que você adora, tudo vai dar certo. Ele vai ficar melhor que você. São menos de 24 horas, não faça drama.”

Não, eu não queria ouvir isso, mas ela é a voz da razão. Minha mãe me conhece tão bem que me irrita.

Então vamos avançar as 24 horas e voltar pro momento da despedida. O sábado.

Foi um dia de trabalho normal e bem parecido com os que eu tinha antes de engravidar. Eu tive todos aqueles sintomas da ansiedade, mas controlei. Peguei um avião rumo a São Paulo para uma reportagem. Durante a gravação me distraí e me diverti. Senti culpa por causa disso. Achei que eu devia estar sofrendo, mas não era o caso. Eu estava com saudades, morta de vontade de apertar meu gurizinho, mas também senti que não sou uma bruxa porque viajei.Menos de 24 horas depois de partir, estou de volta com o meu pacotinho no colo. Ele está ótimo. Eu estou mais forte. Só preciso melhorar essa mania de comer demais em café da manhã de hotel. Mas isso é outra história.  

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Dia difícil

 Acordei e procurei por minha mãe. Ela não estava ao meu lado. 
Chego na sala e lá está ele no colo que há até pouco tempo era só meu. 
– Não quero ele! 
Ela não acreditou. 
– Não quero ele! 
Tive que repetir. 
E tive que dar aquela batidinha de leve, meio que só pra deixar claro esse  meu ciúme. 
Ah, o ciúme! Eu tentei esconder por esses quatro meses mas hoje não deu mesmo pra segurar. 
Outro dia, mandei botá-lo no carrinho. Até que surtiu efeito. 
Nunca precisei puxar o pé, sacudir a cadeirinha e nem apertar aquela cabeça molinha. 
Mas hoje foi diferente. Ele estava lá tomando leitinho todo quentinho naquele colinho que era só meu. 
Levei uma bronca. Fiquei de castigo. Mas depois fui lá beijá-lo e até ganhei um sorriso. Ele tem covinhas! 
– Tão fofinho esse bebezinho! 
Quando digo isso, ela se derrete. Por mim. 
Mas não tem jeito. Depois do almoço, ela me despacha pra creche e fica todinha só pra ele. 
Enquanto isso, disputo brinquedo com meus amigos, finjo que vou bater mas não bato, me empurram meio que sem querer, só que querendo. Tento entrar na casinha mas sou pequeno e os grandes é que mandam lá. Ou pensam que. 
Na hora da saída, fico ansioso à espera do papai que ficou preso no engarrafamento que não tem a mesma graça que as filas de carrinhos coloridos que adoro fazer no tapete da sala. 
Ele não veio e lá vem ela. Com aquele pequeno no colo. Ele sim é pequeno. Quando crescer não vou deixá-lo entrar na casinha.
Não. Vou sim. Ele é tão fofinho…
Ela dá um jeito. Se abaixa. Me abraça. Me beija, sorri como sempre e pergunta como foi meu dia. 
Respondo com apenas um olhar. 
Foi um dia difícil, mamãe. Mas eu também amo você. 

Coisas que nos acalmam

Pode ser uma cena lá de casa ou da do vizinho, é tudo igual. O filho chora, berra, e você começa falando num tom zen. Ele chora e berra mais alto, você fala um pouco mais alto. Ele insiste tanto no berro que você parte pro ataque: primeiro ameaça de castigo, depois na base da chantagem e por último, recompensa para parar o choro. Ele segue nos gritos, você desiste e cede, perdendo a batalha do dia.

meditaTem horas que a gente realmente não sabe o que fazer para acalmar eles. Lá em casa tem também, mas isso está mudando, desde que fui apresentada à expressão Mindfulness por uma amiga. Ela contou que tinha ensinado uma técnica com esse nome para ajudar a filha a conseguir identificar uma agitação e uma ansiedade nela mesma e conseguir se acalmar sozinha nesses momentos. Explicou que tinha a ver com concentração, respiração… Aquilo era incrível e martelou na minha cabeça por muitas semanas. Eu nem sabia o que era, mas já tinha amado a expressão, em tradução livre, algo como “plenitude da mente”. Só de pensar já me dava a tal plenitude.

Essa minha amiga tem uma vida mais calma que a minha, uma rotina diferente com a filha e o filho dela numa cidade menor que o Rio de Janeiro, onde as coisas acontecem num ritmo diferente. Mas mesmo com essa diferença, achei que poderia ensinar alguma técnica nessa linha para meu filho. E foi isso: peguei uns minutinhos de uma hora calma em casa e ensinei a ele uma respiração mais profunda e lenta. Insistimos no exercício algumas vezes. Ele amou o momento.

Na primeira birra, pedi que ele fizesse a tal respiração. Pedido ignorado. Mas lá pra centésima birra, eu pedi e ele fez. Se acalmou um pouco, e assim temos ido, cada vez com mais sucesso. O pouco progresso que tivemos durante as birras ká me deixou muito feliz.

E agora que eu parei para pesquisar o que exatamente é a técnica de Mindfulness, descobri que é um super trabalho de meditação, conscientização do “agora” e do “aqui” na mente e no corpo. Como a vida lá em casa se encaixa nos “tá corrido pra todo mundo” e “não ta fácil pra ninguém”, eu mesma não tenho conseguido parar para aprender a meditar, muito menos ensinar uma técnica mais profunda como essa. Por isso, achei interessante umas dicas com sete maneiras diferentes de se conseguir chegar mais perto do “mindfulness desejado” e que podem ser facilmente adaptadas a uma família, digamos, moderna.

As dicas estão aqui, mas reproduzo parte delas:

  1. Escute o sino

Toque um sino e peça às crianças para ouvirem atentamente a vibração do som. Diga-lhes para permanecer em silêncio e levantar as mãos quando já não ouvirem o som do sino. Em seguida, diga-lhes para permanecerem em silêncio durante um minuto e prestarem muita atenção para os outros sons que ouvem depois que o sino parou.

  1. Amigo da respiração

Distribua um bicho de pelúcia (ou outro objeto pequeno) para cada criança. Se o espaço permitir, fale para as crianças deitarem-se no chão e coloque os bichos de pelúcia em suas barrigas. Diga-lhes para respirarem em silêncio por um minuto e observarem como o seu amigo de respiração se move para cima e para baixo, e quaisquer outras sensações que notarem.

A presença do amigo de respiração faz com que a meditação seja um pouco mais amigável, e permite que as crianças percebam como uma atividade lúdica não tem necessariamente que ser agitada.

  1. Apertos

Enquanto as crianças estão deitadas com os olhos fechados, diga-as para apertarem e espremerem cada músculo de seus corpos o mais forte que puderem. Diga-lhes para esmagarem seus dedos e pés, apertarem os músculos de suas pernas até seus quadris, apertarem suas mãos e elevarem os ombros até suas cabeças.

  1. Cheire e sinta

Passe algo perfumado para cada criança, como um pedaço de casca de laranja fresca, um raminho de lavanda ou uma flor de jasmim. Peça-lhes para fecharem os olhos e respirarem o perfume, concentrando toda a sua atenção apenas no cheiro desse objeto.

  1. A arte do toque

Dê a cada criança um objeto para tocar, como uma bola, uma pena, um brinquedo macio, uma pedra, etc. Peça-lhes que fechem os olhos e descrevam o objeto a um parceiro. Então, mude os parceiros.

  1. Coração pulsando

Fale para as crianças pularem para cima e para baixo durante um minuto. Então devem se sentar e colocar suas mãos em seus corações. Diga-lhes para fecharem os olhos e sentirem seus batimentos cardíacos, sua respiração, e ver o que mais notam em seus corpos.

  1. De coração para coração

Neste exercício, o significado de “coração” é menos literal. Em outras palavras, essa atividade também poderia ser chamada de “Vamos falar sobre sentimentos.” Então sente e confortavelmente peça às crianças para falarem sobre seus sentimentos. Quais sentimentos estão sentindo? Como sabem que estão sentindo esses sentimentos? Onde elas os sentem em seus corpos? Pergunte-lhes de quais sentimentos gostam mais.

Lembre-lhes que eles podem praticar sempre transformar seus pensamentos em bolhas se eles estiverem chateados, podem fazer os Apertos & a Meditação Relaxante se precisarem se acalmar, e também podem tirar alguns minutos para ouvirem sua respiração ou batimentos cardíacos se precisarem relaxar.

Do medo do parto ao amor por parir

  
Há quase dois anos e meio penso em escrever um relato do meu primeiro parto. Me parece que toda mulher que teve parto normal já escreveu um, menos eu. 

Já tive até um título na cabeça: “E não me venha falar sobre partos”. O motivo do título talvez explique por que nunca escrevi o relato… Não queria entrar na polêmica discussão do que é melhor, a cesárea ou o normal. Me cansam as defensoras xiitas de ambos os lados. E espero não ter me tornado uma!

Foi quando vi o meu obstetra na tv, defendendo o parto normal sem radicalismo, que veio a decisão e o título desse texto. Era um papo sobre as novas regras para tentar diminuir o número de cesáreas geralmente impostas pelos médicos de planos de saúde. Como disse o Dr Bruno Alencar no Encontro com Fátima Bernardes, muitas mulheres optam pela cesariana porque têm medo do parto normal (e porque são mal orientadas). Eu sempre tive medo. E o tema nunca me interessou, até que engravidei. 

Logo no início da gestação, uma colega de trabalho me falou de um site chamado Nascer sorrindo, de um grupo defensor do parto humanizado. Lembro exatamente as minhas palavras: “o que importa pra mim é que o bebê nasça. Não importa como. Humanizado é nascer com saúde.” Ok, não foram exatamente estas as palavras mas lembro que foi isso o que pensei. 

(Nascer sorrindo é um livro de um obstetra francês muito conhecido, o Frederic Leboyer. O mesmo que difundiu a Shantala. Devo estar falando sânscrito pra quem não teve filho ainda, mas recomendo a pesquisa pra quem estiver pensando no assunto).  

O fato é que sempre tive muito medo do parto. Provavelmente influenciada por aquelas cenas de novelas e filmes onde as mulheres aparecem uivando suando xingando sangrando morrendo… E ainda hoje seguem representando nascimentos assim!

Quando minha irmã teve meu sobrinho “cuspido” num parto normal em que ela dormiu durante as contrações (!), passei a considerar tal experiência. Havia encontrado a esperança! Mas lembro que disse para a minha médica logo na primeira consulta: “quero normal enquanto estiver tudo normal, não tenho problemas em fazer cesariana”. 

Aí a natureza sábia me fez esperar nove meses e neste tempo li muito, ouvi relatos (!), fiz cursinho e tudo. Tive certeza de que queria a experiência rara da minha irmã de fazer três forcinhas e parir já querendo ter o segundo filho. 

Passaram-se 38 semanas e cinco dias até que perdi o tampão, a bolsa estourou numa pizzaria e numa madrugada chuvosa de janeiro passei umas cinco horas tendo contrações… e tentando dormir. Era menos doloroso – e dolorido – do que eu tinha imaginado. 

Sorri por meu filho ter nascido com saúde – e na terceira força! Mas sofri com a ocitocina (aplicada para acelerar a dilatação) e com a episiotomia (corte responsável por um pós parto traumático). Quando engravidei do segundo filho, fui em busca do verdadeiro parto humanizado. Não queria as tais intervenções, que descobri serem consideradas por muitos uma violência obstétrica. 

Conversei com médicos ditos humanizados. O que defende que parir de cócoras é a melhor forma de parir. A que defende o parto na água. O que não defende a anestesia. Descobri que não sou tão humana assim!

Uma das médicas que procurei chegou a dizer que não saberia sequer fazer uma “epísio” se fosse preciso, “já que não se usa essa técnica há muitos anos”. Mas, e se fosse preciso? Fiquei com essa pulga atrás da orelha. Sorte que ela não tinha tempo pra mim. Num email em que lhe contei estar com 16 semanas de gestação, sem os exames necessários, com a intenção de parir com ela, mas sem conseguir marcar uma segunda consulta, recebi a resposta: “infelizmente não temos horários compatíveis para o atendimento. Boa sorte”. Isso é humanizado? 

Foi aí que encontrei o Dr Bruno. Indicado (e aclamado!) por uma antiga colega de trabalho que teve dois partos normais, e que estava atendendo (e agradando!) uma outra amiga do trabalho, exigente e cheia de dúvidas. 

Ele fala o que eu penso. O parto normal é a melhor opção pra mãe e pro bebê. Se não tiver como ser normal, depois de todas as possíveis tentativas, não há problema em realizar uma cesariana. Cesarianas salvam vidas. Fico feliz de não ter precisado de uma. 

E assim foi meu segundo parto, com 40 semanas exatas de gestação: meu filho nasceu duas horas depois que dei entrada no hospital. Senti dor antes, com as contrações, mas nenhuma depois. Mal fiz força e o bebê saiu. (Mesmo estando com o cordão enrolado no pescoço, não foi preciso uma cirurgia!) Não levei ponto. Não senti dor. Não tive trauma. Deixei o hospital 24h depois do parto. E sorrio todos os dias desde então. 

Já me chamaram de parideira. Não sei se é pra tanto. Fiz questão – na verdade, implorei – por anestesia nos meus dois partos. Não seria tão fácil sem ela! Senti duas vezes a contração fortíssima provocada pela aplicação da ocitocina sintética. No primeiro parto eu pensava: “se tiver um segundo filho, farei cesariana”. No segundo parto, pensei: “por que não optei pela cesariana?!” É um pensamento que dá e passa. Assim como as dores no útero. Basta pegar seu bebê no colo ainda quentinho recém saído de você, botar ele no peito, sentir o olho no olho, limpar um pouquinho a pele dele com seus próprios dedos, ver o cordão sendo cortado e não vê-lo sendo aspirado – quase torturado – levado de você. Um amor que se revela ao parir. 

Não passarei por isso de novo. Não pretendo ter outro filho. Mas se tivesse, faria tudo outra vez. Normal outra vez. Com ou sem ocitocina e, sem dúvida, com anestesia. E certamente com esse mesmo obstetra que me ensinou que humanizado é o tratamento que médico e paciente devem ter ao longo de toda a gestação, no parto e no pós parto. 

Aprendi que só é preciso amor pra nascer sorrindo. E pra parir também.  

Como levar o bebê?

Fazer um bebê quase todo mundo sabe, mas carregá-lo… Existem mil maneiras de preparar Neston.
Tem canguru, canguru 360º, 9.723 tipos de carrinho, travel system, bebê-conforto, sling… Até colo. Aí, você que tem 35 anos e mais amigas que tem adegas em casa do que bebês, começa a pesquisar. E quanto mais lê, mais confusa fica. 
Resolvi fazer o que faria como jornalista: eleger uma boa fonte e seguir. Liguei pra minha amiga Ana Maria, uma pessoa que eu tenho certeza que pesquisou muitoe tinha as melhores credenciais: era mãe e executiva de logística de uma multinacional e devia saber como carregar uma criança, já que providenciava a carga de toneladas de coisas mundo afora.
Ela me indicou o travel system da Quinny. Era o que ela usava e eu tinha visto como era leve e parecia fácil de dobrar. Chama travel system porque ele vem com bebê-conforto – de uma marca chamada MaxiCosi – e o carrinho da Quinny. Nem pensei duas vezes, comprei. Veio numa caixa imensa e passei uma parte da gravidez só olhando ela de canto. Então decidi que era papel do pai montar (sou machista quando me convém). 
Depois de uns 20 vídeos “how to”, ele foi montando. Achei tudo muito difícil, chorei. Sim, chorei copiosamente pq eu não saberia o que fazer num lance básico que é passear com o guri. 
Como tudo na vida, o uso faz a gente aprender muita coisa. Vencemos essa etapa do monta-desmonta, mas até hoje ainda tenho alguma dificuldade. Mas o que aprendi mesmo é que um bebê-conforto é algo imenso!!! Colocamos no carro e o banco do passageiro, ao lado do motorista, foi inutilizado. No carro, comprado pra “toda família”, só cabe o motorista, alguém atrás e o bebê. Se a sogra precisar de uma carona, não rola (certo que agora algumas grávidas se empolgaram! Rá!).
Outra coisa: o meu carrinho não tinha moisés! Só me dei conta do caos que isso significava quando eu tinha um bebê em casa e não podia deixar ele no carrinho pq ele ficava “dobrado” e não tinha como deixá-lo no berço. Graças a uma amiga, conseguimos um moises vintage de vime muito simpático.
Esta semana, testamos o canguru – que só pode ser usado depois dos 4 meses na opinião da minha pediatra. E mais uma amarga supresa: o lindo e ergonômico canguru caríssimo só serve para o bebê ir de frente pra vc. Algo péssimo! 
E o colo… Esse é imbatível. Gostoso demais, mas lembre que se vc não é mais uma tchutchuca novinha e não frenquentou a musculação como devia, sua lombar e suas escápulas não vão te deixar escapulir. Perdoem o trocadilho, mas é melhor rir se vc está amamentando e não pode tomar relaxante muscular toda hora.
Enfim, esse texto é mais prático que um suspiro literário. Então anotem a dica:
– carrinho precisa dobrar e caber no carro
– rodas grandes garantem conforto ao bebê, mas não entram em qq carro
– sim, vc quer e precisa de um moisés
– se vc for muito alta, como eu, sempre vai ficar um pouco curvada levando o carrinho
– se vc não tiver um carro gigantesco, vai ter que aceitar que só caberão dois adultos e o bebe-conforto no carro
– compre um canguru em que o bebê possa ir olhando pra frente, como vc (sei que vc se acha linda, mas ele quer ver o mundo lá fora)
– só saia com o bebê no colo sem nenhum acessório se for algo bem rápido
– e o sling? Nunca usei, mas tem gente que ama e há quem não goste. Eu acho que não combina comigo

Com licença, a felicidade quer passar

Seis meses. Também conhecido como “um luxo”. Foi essa minha licença-maternidade. Contando com as férias que tirei antes, são sete meses longe do trabalho. Muita gente apostou que eu não aguentaria ficar tanto tempo assim sem trabalhar. Eu mesma achava que ia enlouquecer é preciso confessar que por duas vezes me peguei ensaiando uma conversa com meu chefe pedindo pra voltar antes do fim da licença.
O último mês de gravidez foi um pequeno inferno – tanto pela ansiedade quanto pelo calor que fez no Rio. Sensação térmica de 50 graus em janeiro e uma barriga de nove meses são uma combinação bem complicada. 
Então a bolsa estoura, o grande dia chega e com ele uma nova rotina bem pesada. Mamadas de 3 em 3 horas, a insegurança de não saber se o bebê está mamando o suficiente, a privação de sono que é um tipo de tortura cruel. E aí, vem a cereja do bolo: o marido volta ao trabalho e você passa a sentir uma inveja feroz daquele ser que sai pela porta e volta ao mundo real por 9 horas diárias. Enquanto eu sofria com dor pra amamentar, ele estava onde eu queria estar: no trabalho.
Quando você acha que não vai mais aguentar a pressão, a natureza sabiamente vem com um trunfo, o bebê começa a sorrir. E tudo vai fazendo sentido.
No terceiro mês, a interação melhora ainda mais e o pequeno passa a te olhar com um amor que dá vontade de esmagar de tanta fofura. É a vez do papai sentir inveja da mamãe! Rá!
Então começa a curtição. Cada objeto que ele pega, cada vez que ele ri, os barulhinhos, tudo é uma delícia. E você agradece porque ainda está de licença! Nessa fase, você já resolveu o drama das mamadas e já se organiza pra viver a vida normal. Voltei pra academia e comecei a cuidar de mim.
Agora faltam menos de 20 dias para eu voltar ao trabalho. Aqueles sete meses intermináveis parecem um período tão curtinho, mas é gostoso pensar no quanto pude aproveitar. A licença de seis meses é para que a mãe possa amamentar, mas para mim, foi um presente bem maior que todos os benefícios que o leite materno tem. Esses dois meses a mais vão garantir que eu volte ao trabalho tranquila e cheia de gás, sem culpa. Eu queria dar um upa em quem inventou essa licença de seis meses. E quero deixar claro que lembro bem de quando eu dizia que achava um absurdo alguém se afastar por tanto tempo. E lembro também do medo que eu sentia de alguém pegar meu lugar. Não bati a cabeça, apenas mudei de opinião. 
Pedrinho, a mamãe vai trabalhar, mas meu coração vai ficar no modo “pause” esperando pra te encontrar todo dia. Por favor, espere eu chegar em casa pra mostrar o novo dentinho quando ele aparecer. 

Sujeira, sujeira, não faz assim comigo…

  Jogada no sofá, exausta, reclamo da sorte porque Pedro sujou a fralda, a roupa e o carrinho. Uma coisa daquelas… De repente, me dou conta que acabamos de chegar de viagem e que se o desastre tivesse sido uma hora antes seria dentro do avião. Então me dou conta do tamanho da minha sorte. E da sorte de ter sido uma boa viagem, do Pedro não ter chorado no voo, de eu ter finalmente conseguido levar o carrinho até a porta da aeronave.

Não que eu seja uma Poliana, adoraria ser, mas não sou. Sou uma gata borralheira que tem mais sorte que juízo. E como andei jogando na megasena, tô doida pra saber se gastei toda minha sorte hoje ou ainda  dá pra sonhar com o sapatinho de cristal da Loboutin.