Com licença, a felicidade quer passar

Seis meses. Também conhecido como “um luxo”. Foi essa minha licença-maternidade. Contando com as férias que tirei antes, são sete meses longe do trabalho. Muita gente apostou que eu não aguentaria ficar tanto tempo assim sem trabalhar. Eu mesma achava que ia enlouquecer é preciso confessar que por duas vezes me peguei ensaiando uma conversa com meu chefe pedindo pra voltar antes do fim da licença.
O último mês de gravidez foi um pequeno inferno – tanto pela ansiedade quanto pelo calor que fez no Rio. Sensação térmica de 50 graus em janeiro e uma barriga de nove meses são uma combinação bem complicada. 
Então a bolsa estoura, o grande dia chega e com ele uma nova rotina bem pesada. Mamadas de 3 em 3 horas, a insegurança de não saber se o bebê está mamando o suficiente, a privação de sono que é um tipo de tortura cruel. E aí, vem a cereja do bolo: o marido volta ao trabalho e você passa a sentir uma inveja feroz daquele ser que sai pela porta e volta ao mundo real por 9 horas diárias. Enquanto eu sofria com dor pra amamentar, ele estava onde eu queria estar: no trabalho.
Quando você acha que não vai mais aguentar a pressão, a natureza sabiamente vem com um trunfo, o bebê começa a sorrir. E tudo vai fazendo sentido.
No terceiro mês, a interação melhora ainda mais e o pequeno passa a te olhar com um amor que dá vontade de esmagar de tanta fofura. É a vez do papai sentir inveja da mamãe! Rá!
Então começa a curtição. Cada objeto que ele pega, cada vez que ele ri, os barulhinhos, tudo é uma delícia. E você agradece porque ainda está de licença! Nessa fase, você já resolveu o drama das mamadas e já se organiza pra viver a vida normal. Voltei pra academia e comecei a cuidar de mim.
Agora faltam menos de 20 dias para eu voltar ao trabalho. Aqueles sete meses intermináveis parecem um período tão curtinho, mas é gostoso pensar no quanto pude aproveitar. A licença de seis meses é para que a mãe possa amamentar, mas para mim, foi um presente bem maior que todos os benefícios que o leite materno tem. Esses dois meses a mais vão garantir que eu volte ao trabalho tranquila e cheia de gás, sem culpa. Eu queria dar um upa em quem inventou essa licença de seis meses. E quero deixar claro que lembro bem de quando eu dizia que achava um absurdo alguém se afastar por tanto tempo. E lembro também do medo que eu sentia de alguém pegar meu lugar. Não bati a cabeça, apenas mudei de opinião. 
Pedrinho, a mamãe vai trabalhar, mas meu coração vai ficar no modo “pause” esperando pra te encontrar todo dia. Por favor, espere eu chegar em casa pra mostrar o novo dentinho quando ele aparecer. 
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Um comentário sobre “Com licença, a felicidade quer passar

  1. Lari, me emocionei… voltei após o término da minha licença de 4 meses e ia para casa no meio da manhã, ao meio-dia e no meio do turno da tarde (facilidades do interior – menos de 5 minutos estava em casa) para amamentar e esmagar um pouquinho meu baby. Sempre torci para que o Ber fizesse as primeiras coisas conosco e não na escolinha… até agora tem sido assim: eu vi os seis primeiros dentes, primeiras palavras foram para nós, assim como fomos os telespectadores dos primeiros passos… Desejo que com vocês seja assim também! Um grande beijo!

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