A volta ao trabalho

  

São 21:38 em Brasília. Aqui em casa, é a hora em que chego do trabalho na maioria das vezes. A linda Renata Vasconcellos acaba de dizer boa noite e vai chegar em casa ainda mais tarde que eu. Não sei se verá os filhos acordados. Aqui em casa, eu chego e todos dormem e eu ficarei acordada até 23h para dar o mamá do Pedro na esperança dele dormir pelo menos até 4h. Hora em que a Rosana que trabalha aqui em casa deixa seu filho para poder cuidar do meu.
Mas eu voltei ao trabalho em julho e estou falando desse assunto agora por quê? Porque algumas coisas são difíceis de dizer.
Eu voltei ao batente toda pimpona e achando que ia ser super legal voltar a me maquiar e ter outros compromissos além da mamada e troca de fraldas. Cheguei cheia de gás. Já na primeira semana, adoeci. Sinusite com febre e tudo. 
Mas fui guerreira e disse que não ia me abater. Fui viajar, voltei a procurar pautas e personagens feito louca. Não contava que meu coração ia doer tanto.
A verdade é que quando somos profissionais super exigentes não queremos dar bandeira. Só queremos mostrar pro mundo que ainda somos aquela funcionária de antes da licença. E a exigência em casa também é absurda quando temos esse perfil. Não basta ser mãe e profissional, temos que ser super mães e super profissionais.
Mas não somos.
E no meio da frustração de não poder ser tudo, a gente muda.
Eu mudei muito. Coisas que antes eram meu propósito de vida viraram tarefas como outras quaisquer. E coisas que não me sensibilizavam passaram a ser importantíssimas. 
As boas notícias me dão uma alegria imensamente maior agora. 
Sim, eu mudei. Eu sofri por ter mudado porque não me reconhecia mais. Agora eu posso olhar pra trás e abraçar essa mudança. E tenho certeza que, se eu permitir esse abraço, vou até ganhar um upa.
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