Coisas que não se roubam

Babá e empregada são coisas que não se roubam. Marido vem lá depois na lista. Não é desamor pelo glorioso com quem você divide o teto, é civilidade. Imagine que você trabalha o dia todo fora, deixa seu filho com uma pessoa de confiança muito querida e cuidadosamente escolhida e contratada. Eis que você chega em casa e descobre que uma mãe da escolinha de natação abordou a sua babá, perguntou quanto ela ganhava e lhe fez uma oferta. Uma faca pontuda cruza suas costas e atinge órgãos vitais. Francamente, você que estava preocupada com o tempo que o marido gastava no Whatsapp, descobre que não tem mais forças nas pernas pra se manter em pé. Um frio misturado com enjôo, é preciso sentar ligeiro. 
Você estava preparada pra lidar com alguma biscate que avançasse o sinal querendo atropelar você – afinal, você estava meio gordita, feiosa, com péssimo humor e era um alvo fácil até pra atiradoras sem pontaria. Mas o carro veio na contramão e você está ali diante da proposta de outra patroa.
Cobrir o valor poderia ser o menor dos problemas, mas isso só faria a bola de neve aumentar. Como confiar nas outras mães a partir de agora? Como dizer pro seu filho não brincar com o fulaninho porque a mãe dele rouba babás?
Não interessa o desespero, nunca será de bom tom roubar a babá de alguém. Mas ela não tem direito de negociar salário? Você não ouviria a proposta de outra empresa? 
Não misturemos as coisas. Todos temos direito de lutar por melhores salários e mais ainda de flertar com novas possibilidades. Mas o jogo tem regras claras e entre as mães também vale o fair play. Pede uma indicação ou procura uma agência. Ou já inventaram o Tinder das babás?
*texto ficcional baseado em histórias reais (a história real não aconteceu comigo, mas poderia ser com qualquer pessoa)
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