Você é minha amiga?

Depois da fase do pedido de abraço, meu filho mais velho começou a perguntar pra todo mundo: “você é meu amigo?”
Psicólogos que aprofundem a explicação, mas pra mim a pergunta tem um quê de pertencimento, necessidade de inclusão, confiança e medo da rejeição. 
Ser o mais novo da turma deve estar sendo um dos grandes desafios dessa vida que está só começando. Com dois anos e meio, ele é um menino fofo que ainda insiste em ser um bebê nas horas em que o sono bate ou mesmo nas horas em que alguém bate nele. 
Aprender a lidar com as diferenças, a lutar pelo que se quer, a defender o que é seu; aprender a compartilhar e a compreender o outro; lições de vida que muita gente esquece enquanto envelhece… Ou que nunca aprende. 
Quando meu filho me pergunta “você é ‘meu’ amiga?”, respondo pra ele que sou a MELHOR amiga dele. E quero que a gente envelheça assim, BFF – best friends forever…
Não há nada no mundo melhor do que construir essa relação de amor e confiança com nossos filhos. Quando bebês, são os olhares e os sorrisos. Depois os abraços. E quando descobrem o universo infinito das palavras, nos surpreendemos a cada dia. 
Hoje quando ele me fez novamente essa pergunta fofa, respondi com outra pergunta: o que a mamãe sempre diz pra você? E ele respondeu: você é a minha MELHOR amiga! 
O resultado das nossas ações é, muitas vezes, imediato. Claro que tem a malcriação, aquele tapinha do “não gostei”, um choro, uma birra. Mas receber um elogio, um carinho ou um pedido de amizade é a recompensa por todas as horas não dormidas, os chopes dispensados, as festas esquecidas, os amigos afastados, o trabalho dividido, a dor suprimida e a culpa persistente. 
Ainda virão os desenhos, bonequinhos de mãos dadas, corações, as letras do “eu te amo”. Dias ainda melhores virão. 
Espero que meu filho tenha não um milhão de amigos, mas os MELHORES amigos – verdadeiros, e quem sabe pra toda vida. Uma ele já tem. A melhor amiga. EVER. 

Anúncios

13 coisas que você não deve contar para outras mães 

 
Detesto listas. Rejeito manuais. Conselhos são bem-vindos, nunca no imperativo. Mas tenho pensado em coisas que já me disseram e que eu mesma já disse sobre a vida com filhos. E não resisti.

 13 coisas que você não deve contar para as amigas que também têm um bebê:
Meu filho já dorme a noite toda. 
A privação do sono não é um problema pra mim. 
Meu bebê é gordinho. E é só peito!
Tenho tanto leite que é até desperdício. 
Me sinto linda e plena com a maternidade. 
Nem lembro como era minha vida antes de ter filhos! 
Meu bebê quase não chora. É muito bonzinho. 
Não entendo essas mães que choram todos os dias. 
Não preciso de babá. Dou conta do meu bebê sozinha. 
Minha babá é tão boa que tenho ciúmes dela com meu filho. 
Meu marido divide as tarefas da casa e das crianças comigo. E faz tudo direitinho. 
O pai ajuda tanto que chego a ter ciúmes dele com o bebê. 
Minha vida sexual não foi alterada…
(…)
E por que você não deve falar essas coisas?
A) Porque estará magoando alguém. 

B) Porque estará enganando você mesma. 

C) Porque estará mentindo. 

D) Porque vai atrair mau olhado. 

E) Todas as alternativas acima.

Dia difícil

 Acordei e procurei por minha mãe. Ela não estava ao meu lado. 
Chego na sala e lá está ele no colo que há até pouco tempo era só meu. 
– Não quero ele! 
Ela não acreditou. 
– Não quero ele! 
Tive que repetir. 
E tive que dar aquela batidinha de leve, meio que só pra deixar claro esse  meu ciúme. 
Ah, o ciúme! Eu tentei esconder por esses quatro meses mas hoje não deu mesmo pra segurar. 
Outro dia, mandei botá-lo no carrinho. Até que surtiu efeito. 
Nunca precisei puxar o pé, sacudir a cadeirinha e nem apertar aquela cabeça molinha. 
Mas hoje foi diferente. Ele estava lá tomando leitinho todo quentinho naquele colinho que era só meu. 
Levei uma bronca. Fiquei de castigo. Mas depois fui lá beijá-lo e até ganhei um sorriso. Ele tem covinhas! 
– Tão fofinho esse bebezinho! 
Quando digo isso, ela se derrete. Por mim. 
Mas não tem jeito. Depois do almoço, ela me despacha pra creche e fica todinha só pra ele. 
Enquanto isso, disputo brinquedo com meus amigos, finjo que vou bater mas não bato, me empurram meio que sem querer, só que querendo. Tento entrar na casinha mas sou pequeno e os grandes é que mandam lá. Ou pensam que. 
Na hora da saída, fico ansioso à espera do papai que ficou preso no engarrafamento que não tem a mesma graça que as filas de carrinhos coloridos que adoro fazer no tapete da sala. 
Ele não veio e lá vem ela. Com aquele pequeno no colo. Ele sim é pequeno. Quando crescer não vou deixá-lo entrar na casinha.
Não. Vou sim. Ele é tão fofinho…
Ela dá um jeito. Se abaixa. Me abraça. Me beija, sorri como sempre e pergunta como foi meu dia. 
Respondo com apenas um olhar. 
Foi um dia difícil, mamãe. Mas eu também amo você. 

Do medo do parto ao amor por parir

  
Há quase dois anos e meio penso em escrever um relato do meu primeiro parto. Me parece que toda mulher que teve parto normal já escreveu um, menos eu. 

Já tive até um título na cabeça: “E não me venha falar sobre partos”. O motivo do título talvez explique por que nunca escrevi o relato… Não queria entrar na polêmica discussão do que é melhor, a cesárea ou o normal. Me cansam as defensoras xiitas de ambos os lados. E espero não ter me tornado uma!

Foi quando vi o meu obstetra na tv, defendendo o parto normal sem radicalismo, que veio a decisão e o título desse texto. Era um papo sobre as novas regras para tentar diminuir o número de cesáreas geralmente impostas pelos médicos de planos de saúde. Como disse o Dr Bruno Alencar no Encontro com Fátima Bernardes, muitas mulheres optam pela cesariana porque têm medo do parto normal (e porque são mal orientadas). Eu sempre tive medo. E o tema nunca me interessou, até que engravidei. 

Logo no início da gestação, uma colega de trabalho me falou de um site chamado Nascer sorrindo, de um grupo defensor do parto humanizado. Lembro exatamente as minhas palavras: “o que importa pra mim é que o bebê nasça. Não importa como. Humanizado é nascer com saúde.” Ok, não foram exatamente estas as palavras mas lembro que foi isso o que pensei. 

(Nascer sorrindo é um livro de um obstetra francês muito conhecido, o Frederic Leboyer. O mesmo que difundiu a Shantala. Devo estar falando sânscrito pra quem não teve filho ainda, mas recomendo a pesquisa pra quem estiver pensando no assunto).  

O fato é que sempre tive muito medo do parto. Provavelmente influenciada por aquelas cenas de novelas e filmes onde as mulheres aparecem uivando suando xingando sangrando morrendo… E ainda hoje seguem representando nascimentos assim!

Quando minha irmã teve meu sobrinho “cuspido” num parto normal em que ela dormiu durante as contrações (!), passei a considerar tal experiência. Havia encontrado a esperança! Mas lembro que disse para a minha médica logo na primeira consulta: “quero normal enquanto estiver tudo normal, não tenho problemas em fazer cesariana”. 

Aí a natureza sábia me fez esperar nove meses e neste tempo li muito, ouvi relatos (!), fiz cursinho e tudo. Tive certeza de que queria a experiência rara da minha irmã de fazer três forcinhas e parir já querendo ter o segundo filho. 

Passaram-se 38 semanas e cinco dias até que perdi o tampão, a bolsa estourou numa pizzaria e numa madrugada chuvosa de janeiro passei umas cinco horas tendo contrações… e tentando dormir. Era menos doloroso – e dolorido – do que eu tinha imaginado. 

Sorri por meu filho ter nascido com saúde – e na terceira força! Mas sofri com a ocitocina (aplicada para acelerar a dilatação) e com a episiotomia (corte responsável por um pós parto traumático). Quando engravidei do segundo filho, fui em busca do verdadeiro parto humanizado. Não queria as tais intervenções, que descobri serem consideradas por muitos uma violência obstétrica. 

Conversei com médicos ditos humanizados. O que defende que parir de cócoras é a melhor forma de parir. A que defende o parto na água. O que não defende a anestesia. Descobri que não sou tão humana assim!

Uma das médicas que procurei chegou a dizer que não saberia sequer fazer uma “epísio” se fosse preciso, “já que não se usa essa técnica há muitos anos”. Mas, e se fosse preciso? Fiquei com essa pulga atrás da orelha. Sorte que ela não tinha tempo pra mim. Num email em que lhe contei estar com 16 semanas de gestação, sem os exames necessários, com a intenção de parir com ela, mas sem conseguir marcar uma segunda consulta, recebi a resposta: “infelizmente não temos horários compatíveis para o atendimento. Boa sorte”. Isso é humanizado? 

Foi aí que encontrei o Dr Bruno. Indicado (e aclamado!) por uma antiga colega de trabalho que teve dois partos normais, e que estava atendendo (e agradando!) uma outra amiga do trabalho, exigente e cheia de dúvidas. 

Ele fala o que eu penso. O parto normal é a melhor opção pra mãe e pro bebê. Se não tiver como ser normal, depois de todas as possíveis tentativas, não há problema em realizar uma cesariana. Cesarianas salvam vidas. Fico feliz de não ter precisado de uma. 

E assim foi meu segundo parto, com 40 semanas exatas de gestação: meu filho nasceu duas horas depois que dei entrada no hospital. Senti dor antes, com as contrações, mas nenhuma depois. Mal fiz força e o bebê saiu. (Mesmo estando com o cordão enrolado no pescoço, não foi preciso uma cirurgia!) Não levei ponto. Não senti dor. Não tive trauma. Deixei o hospital 24h depois do parto. E sorrio todos os dias desde então. 

Já me chamaram de parideira. Não sei se é pra tanto. Fiz questão – na verdade, implorei – por anestesia nos meus dois partos. Não seria tão fácil sem ela! Senti duas vezes a contração fortíssima provocada pela aplicação da ocitocina sintética. No primeiro parto eu pensava: “se tiver um segundo filho, farei cesariana”. No segundo parto, pensei: “por que não optei pela cesariana?!” É um pensamento que dá e passa. Assim como as dores no útero. Basta pegar seu bebê no colo ainda quentinho recém saído de você, botar ele no peito, sentir o olho no olho, limpar um pouquinho a pele dele com seus próprios dedos, ver o cordão sendo cortado e não vê-lo sendo aspirado – quase torturado – levado de você. Um amor que se revela ao parir. 

Não passarei por isso de novo. Não pretendo ter outro filho. Mas se tivesse, faria tudo outra vez. Normal outra vez. Com ou sem ocitocina e, sem dúvida, com anestesia. E certamente com esse mesmo obstetra que me ensinou que humanizado é o tratamento que médico e paciente devem ter ao longo de toda a gestação, no parto e no pós parto. 

Aprendi que só é preciso amor pra nascer sorrindo. E pra parir também.  

Me dá um abraço?

  

Não estou só amamentando e trocando fraldas nessa licença maternidade. Não trabalhar tem me permitido, além de cuidar do bebê, presenciar o crescimento do meu filho de dois anos. Uma fase tão importante na vida de uma criança que, se eu soubesse, tinha planejado exatamente esse período para estar de licença em casa. 

Bernardo passou das palavras soltas para frases lógicas num piscar de olhos. Cada vez mais ele se faz entender. Consegue se comunicar, expressar seus sentimentos e suas vontades. Que não são poucas. 

É verdade que às vezes a gente não entende nada do que ele diz. Mas ele repete exatamente as mesmas palavras pra mostrar que sabe bem o que está falando. E fica meio irritado quando não compreendemos. 

Mas tem uma frase curtinha (e uma vontade frequente) que é bem fácil de entender…

Busco Bernardo na creche. Na saída, um amiguinho passa por ele e ele diz: me dá um abraço? O amigo passa direto. A avó diz que o menino está chateado porque a mãe foi não buscá-lo. Aí vem outro amigo, e Bernardo manda de novo: me dá um abraço? E o amiguinho vai direto pros braços da mãe. Meu coração partido aperta meu filho e eu lhe digo: eu amo o seu abraço. Ele sorri pra mim. E abraça o meu pescoço. 

Outro dia a babá chegou de manhã e ele disse “bom dia”. Desceu da minha cama e abriu-lhe os braços. Era segunda-feira. E começamos a semana com um sorriso nos olhos. 

Quando o pai chega do trabalho e o Bernardo o abraça, ele me chama: “todo mundo!” “Todo mundo no abraço!” É a coisa mais meiga e mais cheia de significado que já vi na vida. 

Como toda criança de dois anos, Bernardo bate e faz birra. Mas na maior parte do tempo é carinhoso. (Até com o irmão que acaba de chegar!) Ele quer dar carinho, mas também quer receber. Quem não quer? 

É por isso que me chamou atenção as crianças que negam um abraço. Crianças são sinceras. Se não querem abraçar, não abraçam e pronto. Os adultos não negam abraço, mas abraçam mesmo sem querer. Não sei o que é pior. 

Tenho vontade de abraçar meu filho o dia inteiro. Tanto que possa suprir todos os abraços que lhe negarem ao longo do dia. E os abraços falsos ao longo da vida. 

Se pudesse, impediria todos os abraços negados e os abraços falsos da vida dele. E estaria sempre por perto para não deixar sua pergunta sem resposta. 

Me dá um abraço? 

Instamãe

  

Quando a gente aproveita a fila do mercado pra escrever pro blog quer dizer que o tempo anda mesmo escasso. E que a gente aprendeu a otimizar esse tempo. E não quer mais perder nenhum instante. Ah! E que estou no mercado minha gente! (Quem tem um recém nascido em casa sabe o que isso quer dizer!)

O fato é que preciso compartilhar o que acabo de ouvir. 

Atrás de mim na fila do caixa rápido, duas marombeiras conversam. Uma diz que está barriguda. A outra rebate na hora: “se uma barriguda de verdade te ouve dizendo isso vai dar na sua cara”. 

Não dei na cara. Nem encarei. Olhei foi pra baixo. Pra ela. Pra minha barriga – um resto de pele e gordura, resquícios de um parto recente sem tempo determinado para desaparecer da minha vida. 

Estou magra. Não visto roupa de mãe que amamenta. A blusa é preta mas não disfarça. Quem me olha vê uma magra barriguda. Não tenho desculpa. 

Olho pra cesta das saradas: alface, pão integral. Produtos diet. Na minha: Coca-cola. Bolo. Chocolate. Sorvete. Nutela! Coisas que nunca comprei de uma só vez. Mas sair pra fazer compras é uma experiência tão rara e libertadora para uma mãe que amamenta que a gente acaba perdendo a linha… Quem já teve um recém nascido em casa sabe o que quero dizer. 

O fato é que ando comendo como uma vaca. Aliás, como vaca comem as marombeiras! Eu como mesmo como uma mãe que amamenta e vive com fome e decidiu não cortar nada da alimentação porque passou a acreditar que nada do que eu deixar de comer vai mudar a vida do bebê. Nem a minha. E estou feliz da vida. 

Outro dia uma amiga sugeriu (claro que brincando) que eu me torne uma dessas musas fitness do Instagram. Eu postaria o dia a dia de uma mãe barriguda tentando, com suor, lágrimas e fotos inspiradoras, ficar sarada depois do parto. Quem sabe assim sairia do anonimato, viraria uma instacelebridade e ganharia uns trocados em troca?! E claro, uma barriga tanquinho! 

Uma pena! Não nasci pra isso. Pro exibicionismo. E pro exercício também, confesso. 

Mas decidi, recomendada por outra amiga, seguir um perfil de uma marombeira que conta a própria vida em posts e fotos cheias de pose no Instagram. Desse tipo musa fitness cheia de seguidoras invejosas. Passei a ser uma delas. Das seguidoras, claro. A ideia era dar inspiração pra eu perder os quilos que me faltam e enrijecer o que me resta. Mas a cada post que vejo só dá mesmo aquela inveja. Aquela que toda mãe de recém nascido ou qualquer uma que não se livrou dos quilos extras deve sentir. E como disse outra amiga: “Aff, não dou conta!” 

Antes que eu elimine esse perfil da minha timeline e da minha vida, lembro do bafafá que rendeu uma tal modelo americana que grávida de 9 meses tinha a barriga menor e mais definida que a minha em toda a vida.  Ela postava selfies na rede social em trajes miúdos e o mundo (materno, pelo menos) se estapeava em comentários prós e contras. Eu me abstive. Se ela estava saudável e o bebê também, palmas pra ela. As marombeiras do mercado também devem pensar como eu. E esse tal perfil é outro que também não to mais dando conta. 

Fica a dica: melhor não acreditar muito nestes perfis pseudo inspiradores. Se descobrirmos o que há por trás de tanta perfeição e alegria podemos nos decepcionar. 

Eu mesma outro dia postei uma foto da minha mão segurando a mão do meu bebê de três semanas. Quem já teve um recém nascido logo repara: as unhas estão feitas! E vermelhas! E lindas! “Vc não está um cacareco!”, disse uma amiga que pariu já há um tempo. Bem. Hoje são aquelas unhas que completam três semanas! 

E em vez de sonhar em ser musa fitness me satisfaço com um perfil de instamãe inspiradora. Aquela que fica em êxtase quando vai ao mercado, esnoba o corpão da marombeira e se acaba num pote de Nutela. Que se deleita com fotos de mãos e pés e boquinhas de recém nascido. E que não posta, nem com mil filtros, um único registro da barriga e das unhas cacareco. Se quiser a pura verdade, melhor nem me seguir. 
  








Onde cabe o segundo filho

@hobyfotografia

Tenho uma confissão a fazer. Pouco antes de nascer o meu segundo filho me bateu uma certa preguiça. Preguiça desse enorme dorme acorda mama e faz cocô. E ponto. Desse choro que a gente precisa desvendar o motivo (e uma solução urgente!). Preguiça de lidar com um serzinho pequerrucho que pouco ou nada interage com a gente. Preguiça de recém nascido. Pronto falei. 

Estava eu com aquele barrigão. Curtindo muito aquele barrigão. Sabia que ia sentir saudades dele. Já sinto. 
Estava eu com aquele filho até então único, de dois anos, “falante iniciante”, fazendo graça. Uma graça. Que delicia ouvi-lo falar, sorrir e até mesmo chorar. Sim, às vezes, até mesmo chorar. 

Não me lembrava muito bem como era (gostoso) segurar um bebezinho tão levinho, tão delicado, tão indefeso, tão amoroso apesar de tão pequeno. Ou não tão pequeno assim.

Até que Felipe nasceu. Com 4kg. 52cm. E um jeitinho lindo de caçula querendo cuidado. Querendo amor. E eu amei. 

Amo amo amo sem fim. Em dobro. Multiplicado. Coube mais um. Cabe ele. Aliás, não cabe, transborda. E como diz a frase (brega) da moda (?!): é muito amor envolvido…

Hoje ele fez um mês. Planejei um parabéns. Um bolinho. Momentos de alegria. O parabéns e o bolo não couberam na rotina corrida do dia. Mas o dia foi cheio de momentos de alegria. E é aí que entra o segundo filho. Descartando o planejado.  Surpreendendo o previsível. Aumentando o cansaço, mas sumindo com a preguiça. (Aquela preguiça…)

Hoje ele fez um mês, está um quilo mais fofo e três centímetros mais lindo (baba mamãe!). Só não cabe mais nas fraldas e nas roupas de recém nascido. Sei que vou sentir saudades dele pequeno. Já sinto. 

O maior perigo dessa saudade é querer outro. Porque já sei que cabe. No coração. Não cabe no bolso nem no apê de dois quartos. Entao, não cabe não cabe não cabe.  


Ps: Não se assustem. É muita ocitocina envolvida. Estou até doando as roupas que já não cabem. Parei no segundo, mesmo. Terceiro? Preguiça! E não cabe não cabe não cabe! 

Entre peitos e orelhas 

Nascem quíntuplos.

Mãe de 13 filhos espera quadrigêmeos – aos 65 anos!

Sentimentos múltiplos me sobem à cabeça ao ler essas notícias.

A princípio desejo que os bebês cresçam saudáveis e que as mães se recuperem logo. Do susto, com certeza. Depois, penso em como vai ser a rotina dessas famílias. Rotina?

Não é à toa que escrevo sobre notícias de ontem. Um filho de dois anos e um de vinte dias, os dois resfriados, me bastam para ter uma pequena ideia do que é a rotina de cuidar de dois – ou mais – ao mesmo tempo.

Tenho vivido uma maratona. De revezamento.

Numa hora sou peito. O pequeno mama quando quer e bem entende e por enquanto estou respeitando seu tempo.

Noutra hora sou orelha. O maior decidiu ainda pequeno que seu objeto de transição não seria nenhum paninho, soninho, bichinho, nadinha que pudesse me substituir nas horas de sono, manha e chamego. É a minha orelha que ele segura, agarra, aperta e, que delícia, faz um carinho que me põe pra dormir como um anjinho…

Quando o pequeno para de mamar, o maior já está de braços esticados tentando me alcançar. Isso quando já não alcançou. Aí não é revezamento. É contorcionismo mesmo.

Tento ser algo mais que peitos e orelhas, eu juro. Mas no momento, confesso, não almejo ir muito além de uma pausa para o lanche.

Sobre cólicas, coelhos, chocolate e sacrifício 

Sobre cólicas, coelhos, chocolate e sacrifício – Parte 1

Sabe essas fotos de criança pintada de coelho com orelhas de papel? Dessas que lotam as timelines na semana da Páscoa? Meu filho não tem. Essa semana na escola o tema era a sardinha e a comida portuguesa… Longa história. O fato é que a escola dele não comemora datas religiosas. (Acho que as escolas que pintam as crianças de coelho também não. A maioria passa longe da religião, mas vale a brincadeira, a tradição, as lembranças.) Tudo bem. Eu já estava ciente disso. E isso não me incomoda tanto assim. 

Tentei em casa fazer orelhas coloridas pra brincar com meu filho de dois anos. Ele não ligou. Preferiu as brincadeiras de todos os dias. Com papai e com a mamãe. É esse o espírito da Páscoa por aqui: a renovação da família. 

Tem mais uma coisa diferente na Páscoa do meu filho de dois anos. Ele não come ovo de chocolate. Porque nunca pediu pra comer chocolate. Então prefiro esperar. Vamos de bolo. Não deixa de ser uma Páscoa doce. Pra ele. 

Já pra mim… Páscoa sem chocolate não é tão doce assim. 

  

Sobre cólicas, coelhos, chocolate e sacrifício – Parte 2

No dia em que meu filho mais novo completou duas semanas, ouvi o primeiro choro que parecia ser de cólica. Eram seis da tarde e isso, segundo os entendidos em maternidade, não quer dizer outra coisa. É a hora da cólica. 

Não sou marinheira de primeira viagem. Tudo o que fiz para tentar evitar as cólicas do primeiro filho, faria de novo para não ver o pequeno sofrer e a gente se desesperar por conta do choro sem fim. Faria. Mas preferia não ter que fazer. 

Há dois anos, eu cortei da minha alimentação tudo o que poderia causar cólica em bebês. A começar pelo leite e derivados do leite. Foi quando eu descobri que quase tudo que eu gosto de comer vem do leite. E descobri que sou sim capaz de fazer sacrifícios. 

Fiquei dois meses sem comer chocolate, por exemplo. E, juro, não quis acreditar que logo na Páscoa teria que começar essa dieta de novo! Tudo bem que é uma época que tem muito a ver com sacrifício, quando se pensa no significado religioso da data. Mas o que mais se vê e se fala nesse período é sobre coelhos e chocolates. E seria mais que sacrifício. Seria uma tortura. 

Nessa segunda gestação, me antecipei e pesquisei bastante. Pediatras, nutricionistas, especialistas em amamentação são firmes: não há comprovação de que algum alimento consumido pela mãe que amamenta interfira no leite produzido por ela. (O leite deve ser cortado em caso de alergia ou intolerância. Não por causa da cólica. A cólica é resultado de um organismo ainda imaturo.) Gosto de acreditar nisso. Portanto: que venham os chocolates!

Mas e o choro do bebê? Foi só naquele dia. Presente de Páscoa! E se a cólica chegar de verdade, depois, juro que  faço qualquer sacrifício. 













Eu sou uma mãe que julga

A vida é feita de escolhas. Desde que nascemos. Mas assim que nascemos – e mesmo antes disso – alguém faz as escolhas por nós. 

Eu escolhi ter parto normal. Duas vezes. A outra Patricia preferiu cesárea. Duas vezes também. A gente não se odeia por essa diferença. 

Mas já vi muita discussão feia sobre o assunto. Até que me cansei dele. Acho que os especialistas, ativistas, cesaristas e xiitas do parto normal ainda têm motivos para tanto debate. Mas quando as acusações são entre as próprias mães… Tenho preguiça do tema. E muito mais preguiça delas. 

Nos grupos de “apoio” à maternidade, nas redes sociais, essa briga não tem fim. 

Mas também tem quem brigue porque uma acha chupeta um absurdo e a outra, uma salvação. Porque uma dá doce pro filho desde cedo e a outra só quer dar aos dezoito anos. Essa segunda poderia ser eu. 

Já fui hostilizada em reunião da creche por causa disso. Ok, hostilizada com carinho. Ninguém entendia por que me assustei com a batata frita no cardápio do maternal e com o bolo de ovomaltine de sobremesa. Mesmo assim, não quis discutir com os pais dos colegas do meu filho assim como nunca troquei farpas com mães que só conheço pelo perfil do Facebook. Cada qual com suas escolhas. 

Defendo minhas opiniões. Não tento convencer ninguém de que estou certa. Afinal, não existe mesmo certo e errado. Existe o que é certo para cada um. 

Mas eu sou sim uma mãe que julga. 

Coleciono posts alheios com perguntas do tipo: posso dar linguiça para meu filho de 6 meses?!Desculpe. Ainda acho que era uma pegadinha na internet.

O pior foram as respostas. Eu não dei a minha, claro. E quando comecei a ler os comentários… Deu preguiça até das que eu concordava. 

(Preciso confessar: adoro esses posts e ainda farei um estudo antropológico sobre essa espécie de mães que se amam e se odeiam nos grupos de internet.) Me julguem. 

Não temos saída: precisamos escolher por nossos filhos. E somos julgadas a todo instante. Mas a pena pode ser alternativa. Não precisamos ser tão rígidas. 

Já nos basta sermos nossos próprios juízes e sofrermos com nossas duras penas quando descobrimos que não estamos certas.