Só mais um mimimi materno…

A independência dos filhos é um tapa na cara das mães. Em qualquer idade, ao menor sinal de (mais) desapego, a gente já fica que nem aquelas partículas magnéticas de experiência escolar, super agitadas.

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Meu filho veio com uma novidade há umas três semanas. Fomos no cinema, Trolls. Divertido e musical. E foi aí que ela veio. Lá no meio do filme, o personagem começa a cantar uma música. (descobri depois que é do Justin Timberlake, e quase contei pra ele o passado desse moço… n’sync, lembram?)

Meu filho cantou a música no filme. E continuou cantarolando depois do filme. Baixei o álbum com a trilha e ele conhecia várias. Me contou que escuta todo dia na van. Não só escuta como gosta. Adora!!

Aqui a música e o clipe, que é uma gracinha também.

Aliás, “a van” já tinha sido o primeiro tapa na minha cara. O primeiro dia que ele estava num lugar longe de mim e eu não tinha ideia do que estava fazendo e nem onde exatamente estava (diferente de quando ele tá na escola, em que sei onde e com quem ele fica). Ficar perambulando pela cidade de van não é uma ideia que me agrada muito. Mas enfim, ele se amarrou, fez amigos e eu aprendi a confiar mais nas meninas responsáveis por ele nesse período.

Daí o outro tapa: ele gosta de musicas que não fui eu que mostrei. Que não foi ninguém da minha família ou círculos de amigos nossos. Ele tem o próprio gosto musical. E aprende a cantar as músicas que gosta. E pede pra ouvir. E me apresenta as músicas – eu nunca tinha escutado essa música!!! E agora eu adoro ela!!

Olha, passei tranquilamente pelas noites mal dormidas. Pelas fraldas de coco, por vômitos em cima de mim, por ataques de birra em público, por plantão em hospital segurando o braço da criança pra tomar injeção; por tudo de bom e ruim da maternidade. Tranquilamente mesmo: com preocupação, mas consciente de que tudo aquilo passaria.

Mas a independência…  essa não passa e, muito pelo contrário, só aumenta. E muito pelo contrário mais ainda, meu papel é justamente deixar rolar, incentivar, e parar com esse mimimi de mãe apegada. E olha que nem comecei a falar das paixonites…

Ontem ele me pediu pra escutar Anitta. 😛

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Inveje sua amiga jovem

Tenho um conselho pra dar pras minhas amigas mães: guarde um espacinho do seu coração e tenham, pelo menos, uma amiga jovem. Pelo menos uma amiga mais jovem que você. Tenham amigas mais jovens que você, sem filhos e, de preferência, solteiras ou recém-casadas.

Pra quê?

As amigas mais jovens têm (mais) disposição. Não tem cansaço. As amigas jovens saem, bebem, vão pra academia, transam todo dia, trabalham feito loucas, chegam em casa de madrugada, viram a noite no job, pegam ônibus, metrô e carona com qualquer um. As amigas jovens tem vontade de fazer qualquer coisa. Comem e malham como se não tivesse amanhã. Tomam suco verde e fazem yoga! As amigas jovens tem TEMPO na vida.

1290Então, tenham amigas mais jovens pra poder invejar elas. Isso mesmo, IN-VE-JA. A inveja pra quem tem bom coração é um baita combustível. E pode deixar o espírito competitivo à flor da pele. Calma, inveja branca, competição amorosa… inspiração. Ninguém prejudicando nem querendo mal da amiga!

Inspiração pra gente não ficar parada na rotina “birra-trabalho-função doméstica”.

Elas são essenciais pra gente ver que a vida pode ser mais divertida, que a gente não precisa se levar tão a serio só porque tem filho. Pra gente ficar com uma pontinha de inveja e correr atrás do prejuízo mesmo. Não vai fazer mal a ninguém.

Serve inveja do casal que corre junto? Serve.
Serve inveja da menina que dorme na praiasem se importar com o amanhã? Serve.
Serve inveja do programa das amigas em plena terça? Serve, esse é o espírito.

Tudo que faz você se sentir um “passo atrás” serve como bobina pra você correr atrás da diversão, da felicidade, da satisfação pessoal… o que nunca na vida será demais.

Vamos falar sobre isso

A campanha #meuprimeiroassedio está linda. Um monte de mulher expondo sua história na internet em favor de uma causa. Mas o que seria lindo mesmo era se a massa de depoimentos pudesse conscientizar homens – e mulheres – de que isso é um assunto sério.

Ainda não sei qual é a maneira certa de tocar nessa história com meus filhos. Entre todos os medos que eu tenho em relação a eles soltos no mundo, esse é o meu maior.

Mas uma coisa é certa: os filhos precisam saber, como já bem disse a Casanova nesse texto aqui, que nós, mães, somos suas melhores amigas e que eles devem e podem nos contar qualquer coisa. E a gente, por outro lado, precisa ACREDITAR no que eles dizem. A gente precisa levar eles a sério.

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O #meuprimeiroassedio foi quando eu fazia aula de tênis. Adorava. Mas lembro de um auxiliar da quadra vizinha à minha sempre olhando de uma forma estranha – sei que vocês vão me entender. Não contei pra ninguém. Desisti de jogar por esse e outros vários motivos. Eu era muito nova, não deveria ter que passar por isso. Foi um olhar, ele não encostou em mim, sequer falou nada. Só olhou, me chocou, me incomodou, me envergonhou.

Olha quanta coisa nós, mulheres, precisamos enfrentar desde muito cedo. Tem gente escrevendo que o primeiro assédio foi com 7 anos. Que foi na esquina de casa, foi no ônibus, no cinema. Foi com o cunhado da mãe, o avô, o motorista, o cobrador do ônibus.
Não há pai nem mãe que consiga evitar a maioria dos perigos que as crianças enfrentam desde cedo: cair de um brinquedo, sofrer um acidente, passar por um assalto, sofrer bullying na escola… E o que torna a maternidade ainda mais complexa é que mesmo assim, apesar desses riscos todos, é preciso criar filhos para o mundo. Que missão difícil, viu.  Criar seus filhos para um mundo onde crianças podem ser assediadas por homens escrotos.

Mas se essa campanha puder deixar algum valor na sociedade, que seja a preservação da inocência das crianças por mais tempo.

Recebi essa semana um vídeo que pode ajudar pais e mães a falar sobre isso com as crianças. Ele foi feito pela Rede Marista de Solidariedade. Reproduzo aqui:

Coisas que nos acalmam

Pode ser uma cena lá de casa ou da do vizinho, é tudo igual. O filho chora, berra, e você começa falando num tom zen. Ele chora e berra mais alto, você fala um pouco mais alto. Ele insiste tanto no berro que você parte pro ataque: primeiro ameaça de castigo, depois na base da chantagem e por último, recompensa para parar o choro. Ele segue nos gritos, você desiste e cede, perdendo a batalha do dia.

meditaTem horas que a gente realmente não sabe o que fazer para acalmar eles. Lá em casa tem também, mas isso está mudando, desde que fui apresentada à expressão Mindfulness por uma amiga. Ela contou que tinha ensinado uma técnica com esse nome para ajudar a filha a conseguir identificar uma agitação e uma ansiedade nela mesma e conseguir se acalmar sozinha nesses momentos. Explicou que tinha a ver com concentração, respiração… Aquilo era incrível e martelou na minha cabeça por muitas semanas. Eu nem sabia o que era, mas já tinha amado a expressão, em tradução livre, algo como “plenitude da mente”. Só de pensar já me dava a tal plenitude.

Essa minha amiga tem uma vida mais calma que a minha, uma rotina diferente com a filha e o filho dela numa cidade menor que o Rio de Janeiro, onde as coisas acontecem num ritmo diferente. Mas mesmo com essa diferença, achei que poderia ensinar alguma técnica nessa linha para meu filho. E foi isso: peguei uns minutinhos de uma hora calma em casa e ensinei a ele uma respiração mais profunda e lenta. Insistimos no exercício algumas vezes. Ele amou o momento.

Na primeira birra, pedi que ele fizesse a tal respiração. Pedido ignorado. Mas lá pra centésima birra, eu pedi e ele fez. Se acalmou um pouco, e assim temos ido, cada vez com mais sucesso. O pouco progresso que tivemos durante as birras ká me deixou muito feliz.

E agora que eu parei para pesquisar o que exatamente é a técnica de Mindfulness, descobri que é um super trabalho de meditação, conscientização do “agora” e do “aqui” na mente e no corpo. Como a vida lá em casa se encaixa nos “tá corrido pra todo mundo” e “não ta fácil pra ninguém”, eu mesma não tenho conseguido parar para aprender a meditar, muito menos ensinar uma técnica mais profunda como essa. Por isso, achei interessante umas dicas com sete maneiras diferentes de se conseguir chegar mais perto do “mindfulness desejado” e que podem ser facilmente adaptadas a uma família, digamos, moderna.

As dicas estão aqui, mas reproduzo parte delas:

  1. Escute o sino

Toque um sino e peça às crianças para ouvirem atentamente a vibração do som. Diga-lhes para permanecer em silêncio e levantar as mãos quando já não ouvirem o som do sino. Em seguida, diga-lhes para permanecerem em silêncio durante um minuto e prestarem muita atenção para os outros sons que ouvem depois que o sino parou.

  1. Amigo da respiração

Distribua um bicho de pelúcia (ou outro objeto pequeno) para cada criança. Se o espaço permitir, fale para as crianças deitarem-se no chão e coloque os bichos de pelúcia em suas barrigas. Diga-lhes para respirarem em silêncio por um minuto e observarem como o seu amigo de respiração se move para cima e para baixo, e quaisquer outras sensações que notarem.

A presença do amigo de respiração faz com que a meditação seja um pouco mais amigável, e permite que as crianças percebam como uma atividade lúdica não tem necessariamente que ser agitada.

  1. Apertos

Enquanto as crianças estão deitadas com os olhos fechados, diga-as para apertarem e espremerem cada músculo de seus corpos o mais forte que puderem. Diga-lhes para esmagarem seus dedos e pés, apertarem os músculos de suas pernas até seus quadris, apertarem suas mãos e elevarem os ombros até suas cabeças.

  1. Cheire e sinta

Passe algo perfumado para cada criança, como um pedaço de casca de laranja fresca, um raminho de lavanda ou uma flor de jasmim. Peça-lhes para fecharem os olhos e respirarem o perfume, concentrando toda a sua atenção apenas no cheiro desse objeto.

  1. A arte do toque

Dê a cada criança um objeto para tocar, como uma bola, uma pena, um brinquedo macio, uma pedra, etc. Peça-lhes que fechem os olhos e descrevam o objeto a um parceiro. Então, mude os parceiros.

  1. Coração pulsando

Fale para as crianças pularem para cima e para baixo durante um minuto. Então devem se sentar e colocar suas mãos em seus corações. Diga-lhes para fecharem os olhos e sentirem seus batimentos cardíacos, sua respiração, e ver o que mais notam em seus corpos.

  1. De coração para coração

Neste exercício, o significado de “coração” é menos literal. Em outras palavras, essa atividade também poderia ser chamada de “Vamos falar sobre sentimentos.” Então sente e confortavelmente peça às crianças para falarem sobre seus sentimentos. Quais sentimentos estão sentindo? Como sabem que estão sentindo esses sentimentos? Onde elas os sentem em seus corpos? Pergunte-lhes de quais sentimentos gostam mais.

Lembre-lhes que eles podem praticar sempre transformar seus pensamentos em bolhas se eles estiverem chateados, podem fazer os Apertos & a Meditação Relaxante se precisarem se acalmar, e também podem tirar alguns minutos para ouvirem sua respiração ou batimentos cardíacos se precisarem relaxar.

Em um relacionamento sério com a segunda-feira

Relógio marcando 6 horas. Deitada na cama, abro um dos olhos e vejo o pequeno em pé na minha frente. Ele sobe, eu levanto para fazer o leite. Toma leite, deitamos os dois de novo. Vira pra lá, pra cá… nós dois tentando dormir sem sucesso e de tabela acordamos o pai. “Levanta, vamos brincar na sala”. Daí a um pouquinho a pequena acorda no quarto. Mais brincadeiras.

Arruma a mochila, banhos em nós quatro, administra as brigas e as vontades que mais parecem de adolescentes. Pés na rua. Enfia tudo e todos no carro, trânsito, choro, risadas, música alta. Brincadeiras, comida. Comida na roupa – nas deles e na minha – troca fralda de uma, leva o outro pra fazer cocô no banheiro do restaurante.

Parquinho, brincadeiras, machucados, choros, beijos, parquinho, brinquedos. Enfia tudo e todos no carro, desembarca em casa. Brinquedos, “não-quero-dormir”, choros, jantares. Sujeira, vassoura no chão, brinquedos, televisão, band-aid naquele machucadinho de mais cedo, beijos, mimos, amassos.

Sono de uma, agitação do outro, cansaço dos quatro. Leite pros dois, pijamas, escovas de dentes. “Não quero dormir”. Não quero dormir e ponto. “Não vou dormir”. Acalma, negocia, acalma. Cama. Camas.

Pena, domingo de noite. Ufa, domingo de noite.
Ufa, segunda-feira. Pena, segunda-feira.

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Aprenda a ser mãe em três dias ou seu dinheiro de volta

Hoje eu vi na internet um ensaio fotográfico de crianças supostamente assistindo televisão. Mostrava a cara delas apenas. Se fosse uma revista, pegava aquela página, rasgava e amassava. Faria uma bela cesta num lixo.
Me cansei de ler manuais para ser mãe.

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10 coisas que você precisa saber antes de ter um filho.

10 itens obrigatórios no quarto das suas crianças.

Ensinamentos para que seu filho se torne um gênio.

Saiba os motivos para a birra do seu filho e acabe com elas.

57 vezes que você poderia ter evitado aquele escândalo no supermercado, mas fez tudo errado e passou vexame.

Não pode assistir mais que 2 horas de televisão por dia. Tablet, 20 minutinhos diários. Senão…

… vai saber!?! Quem sabe do meu filho sou eu. Quem sabe quantas horas a minha filha vai brincar de boneca, vai assistir televisão, ou vai ler Shakespeare sou eu. Cansei de me sentir culpada por estar fora de uma regra inventada por um fulaninho, que quer definir minha vida e a dos meus filhos. Fico imaginando quem teve a ideia genial: “ah, vamos mostrar a cara das crianças quando assistem televisão, para deixar as mães preocupadas e chocadas e proibirem os filhos de ficar na frente da tela?!”

Esse fulaninho sabe quantas fucking horas eu e o pai deles trabalhamos por dia? Ele sabe que é um alívio, sim, ligar a Galinha Pintadinha ou o bebê Mais de vez em quando pra gente descansar? E que Pac Man no iPad é um jeito de ocupar as crianças quando estamos arrumando a vida pra sair de casa? E se eu disser a ele que nós não vemos nada de errado em dar um pouco de chocolate para as crianças?

Ele sabe que a gente ama dormir com nossos filhos na nossa cama e está pouco importando com o que vai acontecer quando eles se acostumarem com esse carinho? Ele sabe que eu tenho o meu próprio jeito de acalmar meus filhos no shopping, mercado ou sozinha com eles em casa? Nossa, se ele soubesse o quanto lá em casa fugimos das regras dele…

Desculpa, fulaninho, isso é a vida real. Uma vida cheia de imprevistos (acabei de ouvir meu filho fazendo xixi. Na cama. Na minha cama) cheia de tarefas (hoje o pai das crianças chegará depois de meia-noite do escritório) e de diversão (eu e meu filho passamos o fim da tarde fugindo e driblando de um bicho voador na sala). Coisas que você, fazedor de regras, nem deve ter vivido, com suas definições de como a vida deve seguir no padrão da conformidade.

Imagino que tipo de cidadão será formado em uma casa que segue todas as definições de boa vivência definidas pelos fulaninhos da Internet, ou produtores de ensaios fotográficos de crianças assistindo televisões, ou grupos de mães xiitas do Facebook, ou esses “blogs de maternidade”…

BFF*

Hoje em dia está fácil manter amizades. O Facebook está aí pra te deixar atualizado não só da vida dos seus amigos, dos seus conhecidos, como dos amigos dos amigos, do vizinho, do cachorro mais famoso do bairro, do filho da prima de terceiro grau, da ex-namorada do primo. Só não acompanha quem não quer.

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Lá na escola do meu filho, as mães tem um grupo no whapp e, entre todos os assuntos relativos aos pequenos, às vezes sai uma combinação de programinha entre as crianças. E elas adoram sair com os coleguinhas para lugares fora da escola, é sempre uma farra.

Eu tenho amigas de longa data – a amizade mais antiga já dura 29 anos. E tenho outras que são desde quando a gente era da idade do meu filho mais velho, 3, 4 anos. E quero muito que Tomás e Olívia tenham e mantenham os amigos. Que esses amigos sejam tão importantes para eles quanto essas meninas são para mim. Já falo logo que minha “alma gêmea” foi estagiária comigo no trabalho. E nada mais nada menos do que a minha comadre eu conheci na adolescência. Portanto, é natural que meus filhos também façam boas amizades fora da infância, ao longo da vida

É uma das minhas missões ensinar a eles a importância de se ter amigos. Amizades que podem começar num parquinho, na escola, na faculdade, no trabalho; de 30, 15, 10 anos, ou uma semana… Amigos com quem eles podem contar, confiar, se aconselhar e a quem possam fazer confissões. Jogar o jogo da verdade, salada mista. Amigos que possam ensinar coisas que os pais deles não podem por questões morais. Que possam ser cúmplices quando matarem aula para ir para a praia, que possam dar cola numa prova, ser álibi da hora de dormir fora de casa, estudar juntos. Que meus filhos aprendam a defender um amigo independente dele estar certo ou errado.

Mas quero que eles aprendam, principalmente, a ouvir os amigos deles! Não é (só) sentar numa mesa e escutar, não. É ouvir, entender, compreender e saber ficar calado na hora certa. E olha, nada disso se faz com um Facebook da vida, ou qualquer outra nova tecnologia que vai surgir por aí. A fórmula é velha: é cara a cara, do mesmo jeitinho que minha mãe fez com as amigas dela, minha avó com as dela, eu com as minhas.

*Dedicado às minhas melhores amigas!

A princesa que não é princesinha

“Ai que princesinha ela é…” O que isso significa? Que a menina é delicada, educadinha, graciosa, menininha mesmo. Tem meninas menininhas e tem meninas. Eu crio a minha para ser menina, mas de vez em quando chamo ela de princesa também.

A princesa de verdade (na verdade é duquesa, mas vou chamar de princesa mesmo), Kate, pariu um bebê de quase quatro quilos e dez horas depois estava linda, arrumada, maquiada e com um salto agulha na porta da maternidade. Sorrindo para todos as pessoas desconhecidas que estavam ali por ela e pela filha dela.

KATE

A princesa causou raiva em quase todas as mães que eu conheço. Todo mundo revoltada por ela ser linda e estar disposta assim dez horas depois de dar à luz.

Bem, eu nao nasci pra ser princesa. Jamais conseguiria encarar a multidão recém-parida do jeito que ela o fez.

Podem dizer que o casal real tem um milhão de empregados que os ajudam na rotina com os bebês, podem dizer que ela é uma mãe que tem tempo de se cuidar. Que nem deve ser ela que põe as crianças na cama, que não vai ser ela que vai escovar os dentes, dar banho, acordar de madrugada. Que ela tem uma vida de princesa. Seria justo, afinal ela é uma.

Fato é que ali naquela hora era ela, sim, que estava daquele jeito com sua filha no colo, apenas dez horas depois de parir. As imagens não mentem. A não ser que um jornal russo tenha razão: a bebê nasceu três dias antes. Ou até nem foi a Kate quem engravidou.

Bem, levando em conta que são apenas duas teorias tolas de conspiração, a princesa ganhou, sim, meu respeito (depois da minha raiva, claro), e provou que de “princesinha” não tem nada.

#futuro.com.br

A notícia da gravidez deixa a família radiante. Os meses vão passando, todas as providências vão sendo tomadas, quartinho arrumado, roupas compradas, lavadas e passadas. Facebook, Instagram, Twitter pro moleque feitos, ah, e não menos importante: definida a  hashtag para compartilhar as fotos do bebê.

Oi?

Sim, um bebê que nasce em 2015, no meio de tanta tecnologia, redes sociais em alta, compartilhamento de fotos bombando… como não garantir que o nome do bebê seja registrado também no mundo virtual? Como não ter uma hashtag para quem for na maternidade postar aquelas fotos do recém-nascido? Uma pesquisa inglesa (sempre esses pesquisadores ingleses) mostrou que lá no Reino Unido, 57% dos bebês aparecem na internet em alguma foto antes da primeira hora de vida.

Para algumas famílias, a identidade virtual do pequeno é tão importante quanto a real. Afinal, como é que vamos ter acesso a todas as fotos dele postadas na internet?

Isso me deixa um pouco preocupada… não ter o controle sobre quem posta fotos dos meus filhos e até incentivar isso criando uma hashtag, me tiraria o sono da noite – sono esse que uma mãe de recém-nascido já não tem mesmo.

Essa semana, o cara preso por sequestrar uma criança disse para os jornalistas que achou todas as informações sobre aquela família no Facebook. Palavras dele, mais ou menos: “estava tudo no Facebook. Até foto de dentro da casa dele tinha lá”. Fiquei apavorada e fui garantir que as minhas redes sociais estavam mesmo abertas apenas para quem eu autorizei.

A tecnologia está aí pra ser usada. Não sou contra de forma alguma em mostrar os filhos na internet. Muito pelo contrário, no meu Instagram e Facebook está cheio de fotos deles! Mas não é qualquer um que vê.

Atire a primeira pedra quem nunca publicou fotos do filho uma vezinha. Bem, segundo uma outra pesquisa – da AVG, empresa de antivírus -, 20% dos pais com filhos entre 0 e 5 anos  estão, neste momento, atirando a primeira pedra em mim por nunca terem compartilhado nenhumazinha foto dos filhos. Mas são 20%, vai…. nós mortais, ou 80% de nós, não resistem às fofuras deles. É mais forte que a gente. Mas a gente precisa saber que uma conta no Instagram para o seu filho não é a mesma coisa que o álbum da família que você guarda e mostra para quem te visita em casa. E também não é a mesma coisa que você postar fotos dos filhos na sua rede, para amigos seus.

Onde vamos parar, eu não sei. No mínimo, vamos ter daqui a uns meses domínios de e-mail no limbo, sendo guardados para um futuro desconhecido, em que até o email pode se tornar obsoleto.

Num prognóstico mais radical, teremos filhos rebeldes questionando as mães sobre o teor das fotos deles publicadas no Instagram deles mesmos.

E namoradas fuxicando as redes sociais dos namorados para descobrir se eles nasceram de cesárea ou parto normal. Se mamaram no peito ou na mamadeira, se ficavam na creche ou com a avó.

Sobre a morte

Nosso cachorro morreu.

Meu filho não percebeu de cara, entre outros motivos, por que o cachorro frequentemente vinha ficando uns dias no hospital, e também porque nós mesmos ficamos alguns dias fora de casa, viajando, antes dele morrer.  Bem, como explicar a uma criança de 3 anos sobre a morte? Se às vezes nem eu entendo…

O menino que fez o funeral do peixinho morto dele me deu uma noção de como as crianças entendem a morte: exatamente como os adultos, com tristeza e luto.

Eu achei que o Tomás não fosse se preocupar com o Frodo. Mas as crianças sacam tudo. Passou um tempo e ele perguntou onde estava o cachorro. Pensamos, pensamos e resolvemos contar que ele tinha ido morar com a mãe dele, porque estava muito doente, e ela ia cuidar dele.

Featured imageEle engoliu por um tempo, mas depois voltou a perguntar. E de novo e de novo. E queria saber quando ele ia voltar pra nossa casa. Ele precisava de um “fim” para o cachorrinho que conviveu com ele por três anos.

Percebi que a história da mãe não convenceu ele. Faz todo sentido, afinal, na cabeça dele, as mães sabem cuidar, e ele ficaria curado depois dessa temporada com ela. A morte precisa ser explicada, a criança precisa entender que aquele ser não volta mais.

Mudei a história, e agora, a versão é que ele foi morar com a mãe (pra ser coerente), mas depois acabou ficando mais doente, e o papai do céu resolveu transformar ele em estrelinha. Pronto, eis o fim de que ele precisava. Ele não tocou mais no assunto. A foto do cachorro continua pendurada na nossa parede e a lembrança no coração de todo mundo de casa, tenho certeza.